A digitalização da economia
Enviada em 19/11/2021
De acordo com Tom Goodwin, o “Darwinismo Digital” é a necessidade das empresas e pessoas se adaptarem à nova realidade digital, trazendo suas vidas para o meio digital, sobretudo a parte econômica. Porém, os desafios para que haja uma adaptação completa a esse meio no Brasil são significativos, uma vez que milhões de pessoas estão inseridas na desigualdade e analfabetismo digital, além dos impasses decorrentes da segurança trabalhista, advindos das atuais modalidades de emprego.
Primeiramente, vale ressaltar que há uma grande desigualdade de acesso, no país, ao mundo digital, provocado, principalmente, pela pobreza. Segundo o IBGE, com base nos dados de 2019, o Brasil tem 40 milhões de pessoas que não usam a rede. Portanto, digitalizar a economia, ou seja, tornar um processo que outrora era feito manualmente, em digital, sem uma preparação da população para tal, acaba por cercear um direito do cidadão. Ora, se muitos ainda não sabem como manusear tecnologias digitais, acabarão não tendo acesso aos seus direitos, como se constatou no acesso ao auxílio emergencial.
Ademais, é válido ressaltar que, segundo o historiador israelense yuwal harari, a digitalização da economia torna diversas categorias de empregos obsoletos. Nessa visão, observa-se que muitas funções são substituídas por inteligência artificial ou formas de trabalho disruptivos, tal como o serviço do uber, em que não há efetivos respaldo e garantia trabalhista em situações que necessitem de respaldo jurídico, além do fato de que não há garantia de capacitação dos indivíduos frente à nova realidade. Com base nisso, a digitalização econômica, de modo desassegurado prejudica a sociedade.
Assim, torna-se imprescindível reverter o quadro, sobretudo, da desigualdade digital no país, até como forma de contribuir para a evolução da atual legislação trabalhista. Nesse sentido, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve criar uma campanha de alfabetização digital nas escolas, por meio de aulas implementadas no currículo acadêmico dos estudantes, visando inserir os jovens desde cedo na realidade irá vos cercar em sua vida profissional. Além disso, cabe ao governo federal a criação de leis que promovam a regularização jurídica das empresas e colaboradores que executam trabalhos disruptivos, visando dar ao trabalhador as condições ideais de trabalho e ganhos salariais justos.