A digitalização da economia
Enviada em 12/11/2021
No livro “Warcross”, que se trata de um mundo onde a tecnologia está integralmente inserida no cotidiano das pessoas, é notável as adaptações em toda a estrutura da sociedade naquele contexto e como isso os impacta. Mesmo ainda distantes dessa realidade fictícia, nos encontramos em um momento de transição para um modelo mais digital da economia, sendo imprescindível a discussão de como as grandes empresas, pequenos negócios e pessoas físicas estão lidando com esse cenário e como melhorá-lo.
A economia digital é um reflexo do rápido progresso tecnológico, nesse caso, sem dúvidas atenuado por conta da pandemia onde foi preciso o distanciamento entre comércio e cliente, mas os benefícios para os que se adaptaram bem ao “novo” formato foi de uma simples troca de métodos para um ampliamento de negócios e divulgação. Esses benefícios foram tão reconhecidos que passou a ser comum se ter ao menos parte dos serviços de forma digital, e as empresas que não seguiram ficaram sujeitas a ter menos alcance de público e, por consequência, menos lucro, sendo impostos ao Darwinismo Digital. A sobrevivência de empreendimentos a este processo pode ser turbulenta, mas chega a ser ainda mais complexa se tratando dos empregados.
Se tratando do Brasil, quando falamos de qualquer aspecto relacionado à economia, a desigualdade social é uma questão recorrente. No caso da digitalização não difere, à medida que as empresas e o mercado de trabalho se adéquam a esta realidade, parcela da população ainda tem acesso limitado à tecnologia e se veem omitidos de toda essa conectividade. Essas pessoas terão menos oportunidades de emprego e até mesmo podem ser consideradas despreparadas por essa falta de ambientação com o meio tecnológico, menos oportunidades de emprego geram pessoas desempregadas que, por sua vez, perdem poder de aquisição e pioram a economia interna do país. Parafraseando Charles Darwin, não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adaptar às mudanças, todavia, nesse caso, os que “não sobrevivem” afetam todo o sistema.
De acordo com Sartre, a nossa própria passividade é uma forma de ação. Sob tal ótica, é preciso reconhecer os detrimentos causados pelo desabono com essas pessoas excluídas dos avanços da economia e a urgência em inserir todos, antes de incentivar uma maior adesão e acentuação desse processo de digitalização. Visando isso, os órgãos públicos estaduais devem ser responsabilizados por integrar os mais carentes a essa realidade através de projetos sociais e prover o mínimo de conexão de ‘internet’ a essas comunidades, dando oportunidade e condições de se adaptarem com a economia e diminuindo uma das lacunas criadas pela desigualdade social.