A digitalização da economia

Enviada em 19/11/2021

Na obra literária “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, é contada a história de Macabéa, uma datilógrafa, profissão que não existe mais, dada a modernização tecnológica. O contexto do desaparecimento da profissão de Macabéa demonstra que apesar de a digitalização ter otimizado nossa economia, ela modificou também o mercado de trabalho brasileiro, tornando-o mais excludente.           Nesse sentido, pode ser analisado a situação do desemprego, segundo Yuval Noah Harari, escritor e professor da Universidade Hebraica de Jerusálem, o número de desempregados tende a aumentar progressivamente, podendo surgir uma nova classe de pessoas, os chamados “inúteis” ou “não empregáveis ​​”, isso porque a ocorrência do desenvolvimento acelerado da tecnologia vem substituindo milhares de trabalhadores. Além disso, a questão educacional também contribui para o surgimento dessa possível classe, visto que a educação não vem tendo um avanço proporcional ao da tecnologia, criando profissionais despreparados para essa era nova.

Apesar disso, é essencial lembrar que a digitalização é propícia para o surgimento de grandes mudanças no nosso cotidiano, durante o período pandêmico causada pelo (COVID-19), as empresas tiveram que buscar alternativas para garantir o seu progresso contínuo sem prejudicar a saúde de seus clientes, por isso o mercado digital se fortaleceu mais durante esse período, por exemplo, o surgimento do “pix”, um pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC), em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos. O pagamento via “pix” foi essencial nesse período pandêmico, por garantir a segurança de não haver contato físico durante as transações de dinheiro.

Diante dos fatos mencionados, infere-se a influência da digitalização sobre economia brasileira, portanto, torna-se imprescindível reverter o quadro, sobretudo, trabalhista e educacional. Cabendo ao Ministério da Ciência e Tecnologia junto ao Ministério da Educação, implementarem nas escolas o ensino tecnológico, a partir da criação de uma nova área de conhecimento estudantil focado somente no mundo do trabalho, evitando assim o surgimento da classe “não empregáveis”.