A digitalização da economia
Enviada em 20/11/2021
De acordo com o escritor e especialista em marketing Tom Goodwin, o conceito de “darwinismo digital” faz alusão à necessidade das empresas e pessoas se adaptarem aos novos contextos de digitalização, principalmente a econômica. No entanto, os desafios para se adequar a esse cenário, principalmente no brasil, são significativos, já que milhões de pessoas estão inseridas na desigualdade e analfabetismo digital, além dos empecilhos decorrentes da segurança trabalhista, provenientes das atuais modalidades de emprego.
Assim, torna-se importante a consideração de um dos critérios defendidos pelo geógrafo Milton Santos pra dividir o território: o viés do acesso aos meios técnico-científico-informacionais. Por esse ângulo, constata-se que há uma grande desigualdade de acesso, no país, ao mundo digital, ocasionado, essencialmente, pela pobreza. Dessa forma, digitalizar a economia, ou seja, tornar um processo que outrora era feito manualmente, em digital, sem uma adaptação e preparação da população para tal, acaba por cercear um direito do cidadão. Ora, se muitos ainda não sabem como manusear tecnologias digitais, não poderão ter acesso aos seus direitos, como se constatou no acesso ao auxílio emergencial. Outrossim, é válido ressaltar que, segundo o historiador israelense Yuwal Harari, a digitalização da economia torna diversos tipos de empregos obsoletos. Por essa perspectiva, observa-se que muitas funções são substituídas por inteligência artificial ou formas de trabalho informais, tal como o serviço do uber, em que não há efetiva assistência e garantia trabalhista em situações que necessitem de respaldo jurídico. A partir disso, a digitalização econômica, de modo inseguro prejudica a sociedade como um todo.
Dessarte, torna-se imprescindível reverter o quadro, sobretudo, da desigualdade digital no país, até como forma de contribuir para a evolução da atual legislação trabalhista. Dessa forma, o ministério da ciência e tecnologia deve forçar num trabalho de base, realizado nas escolas, por meio das obrigatoriedades de educação tecnológica e conhecimentos financeiros básicos. Dessa maneira, esse trabalho deve ser realizado por profissionais qualificados nas áreas financeira e digital, dentro das escolas, incentivando, assim, a aptidão dos jovens por meio de atividades, jogos e seminários. Por conseguinte, além de uma formação técnica, será possível assumir o lugar de futuros cidadãos atuantes e reivindicadores de direitos. Afinal, como pontuou Tom Goodwin, será possível se adaptar ao novo contexto em que o mundo vive.