A digitalização da economia

Enviada em 19/11/2021

´´É sobre isso e tá tudo bem´´ é um novo dialeto brasileiro, o qual otimiza determinadas sentenças ou situações. Para isso, a expressão normaliza ocasiões e evoca a necessidade de não modificar o que já está feito; uma fala otimista e despreocupada. Analogamente, os impasses que impedem a digitalização da economia são contrapostos a qualquer ideia de otimismo, pois a exclusão digital e a falta de informações acerca dessa nova realidade obstruem a evolução da aclamada produção digital.

A princípio, a incapacidade da tecnologia em alcançar a completude do público é um dos gatilhos que afastam a digitalização da economia. Tal acepção pode ser discutida sob a ótica do filósofo Giorgio Agamben, no termo ´´Homo sacer´´, que caracteriza a sacralidade das pessoas ao acessarem seus direitos básicos e necessários. Nesse viés, o contato com aparelhos tecnológicos é fulcral para a permanência de uma economia virtual, sem isso os indvíduos são excluídos do espaço social e perdem, gradualmente, o caráter sacro tão filosofado. Sobre isso, a segregação virtual é mais pertinente devido ao direcionamento da modernidade a grupos seletos das comunidades, ou seja, somente pessoas com um alto investimento de capital conseguem adentrar na nova realidade tecnocientífica. Desse modo, a inclusão digital pode democratizar a economia digital para sua população.

Outrossim, a falta de informes direcionados ao público é outro fator que impede a digitalização do comércio e das práticas financeiras de um país. Essa realidade é encontrada na filosofia de Francis Bacon, ao equiparar a sabedoria com o poder. Nesse contexto, indivíduos que reconhecem a aplicabilidade da tecnologia nas relações comerciais conquistam um espaço mais privilegiado, enquanto os demais são afastados de uma melhoria no laudo financeiro. Em vista disso, a ausência de meios que informem sobre o uso das novas tecnologias em ambientes sociais, tais como no campo, nas indústrias e nas escolas, é um fator que retrocede a economia local e relega qualquer país a perder ganhos econômicos. Em suma, conhecer a nova realidade é vital para o avanço da tecnociência.

Portanto, compete aos agentes sociais adequar a digitalização da economia nos países. Para isso, as prefeituras devem publicitar redes ´´Wifi´´, disponíveis à comunidade local, com a presença de sites e aplicativos que registrem os usuários, por meio das mídias, posto que incluirão as pessoas nessa nova realidade digital, a fim de democratizar um direito básico. Em destino ao Ministério da Economia, propõe-se a projeção de ouvidorias públicas e de auxiliadores formados na área científica nos bairros, mediante verbas estatais, pois ampliará o acesso informativo, com fins no conhecimento amplo e difuso. Somente assim, a nova situação socioeconômica será mais otimista e adepta às comunidades.