A digitalização da economia
Enviada em 03/05/2022
O filme “Ela”, da STAR+, retrata uma sociedade integrada e dependente da tecnologia para o funcionamento e manutenção das relações sociais. De forma análoga, no Brasil, a digitalização da economia é responsável pelo desenvolvimento de processos que requerem cada vez menos interação humana. Em contrapartida, também torna o país dependente da tecnologia importada, enquanto exclui parte da população, mais idosa ou pobre, dessa dinâmica.
Primeiramente, a base da digitalização da economia é realizada por empresas de software e tecnologia da informação (T.I.), responsáveis por desenvolver e instalar sistemas. Dito isso, o baixo investimento do governo em companhias locais de desenvolvimento de sistemas e educação tecnológica é ligado a dependência de empresas estrangeiras no Brasil, como na área de gestão empresarial, onde apenas duas empresas de tecnologia concentram 55% do mercado, segundo relatório da startup Distrito. Diante disso, as políticas públicas para universidades do país têm como principal objetivo formar profissionais cada vez mais moldados a esse mercado, diminuindo a capacidade de inovação dos indivíduos para criar soluções capazes de resolver os problemas urgentes da sociedade.
Como retratado na série Modern Family, da STAR+, Jay, um personagem idoso, tem dificuldade para realizar transações online. Fora das telas, a digitalização da economia também engloba processos bancários e de consumo, como a compra na internet. Tal dificuldade é um retrato da desigualdade social existente no país, onde nem todos os brasileiros possuem condições financeiras, educacionais ou geracionais, tornando injustificável a transição total para o digital. Por causa disso, muitos brasileiros tem seus direitos negados por não conseguirem acessar tais serviços, que em muitos casos são determinantes para sua qualidade de vida.
Portanto, é imperativo que o Governo Federal, a partir do Ministério da Ciência e Tecnlogia, invista e fomente nas universidades, junto com o Ministério da Educa-ção, com novas incubadoras de startups que transformem ideias em execução. E regule, em legislação específica, a área de tecnologia de forma a aumentar a pre-sença das empresas nacionais no mercado brasileiro, reduzindo os custos de com-pra e facilitando o uso, independentemente de renda, geração ou formação.