A digitalização da economia

Enviada em 26/06/2023

Hodiernamente, observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da digitalização da economia. No Brasil, entretanto, esse assunto, infelizmente, não tem recebido a condigna atenção, devido à celeridade dos processos humanos e ao silenciamento midiático. À vista disso, é imprescindível a retificação dessas mazelas para a plena harmonia social.

Efetivamente, conforme descrito pela jornalista Eliane Brum, em seu texto “Exaustos, correndo e dopados”, a sociedade encontra-se em um momento no qual precisa produzir o tempo todo: “vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana”. Nessa lógica, verifica-se que grande parte da população brasileira, por estar nesse ritmo de vida frenético, não dá a devida importância à digitalização da economia, uma vez que não tem tido tempo para ponderar acerca dos efeitos dessa conjuntura na dinâmica cívica, a exemplo da exclusão econômica dos indivíduos sem acesso aos recursos tecnológicos. Por conseguinte, a apatia do corpo civil contribui com o desequilíbrio social, ao desconsiderar uma parcela dos cidadãos.

Ademais, consoante o filósofo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é uma dessas ferramentas, mas, em vez de promover debates sobre a digitalização da economia, influencia no silenciamento do assunto, haja vista a preponderante falta de exposição sobre os possíveis resultados dessa transição econômica, como o abandono das moedas físicas. Consequentemente, a maior parte da civilização brasileira se mantém pouco ou completamente desinformada, em virtude da má-influência midiática.

Portanto, cabe ao governo federal - órgão responsável por reger o país - agir em favor da população, mediante a adoção de normas que favoreçam o equilíbrio entre economia digital e economia tradicional, com o intuito de evitar a exclusão econômica. Além disso, a mídia deve conscientizar a população, por intermédio da propagação de discussões - claras e sucintas - sobre o assunto nos meios midiáticos, para promover a informatividade. Assim, espera-se remediar os efeitos da celeridade dos processos humanos e do silenciamento midiático.