A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 17/11/2021

De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o chamado “encolhimento do mundo”, isso é, o aumento das relações interpessoais a distância devido às ferramentas da modernidade. Entretanto, com novas tecnologias, também surgem impasses a serem discutidos, sobretudo relacionado ao uso de imagens não autorizadas na rede de comunicação — um problema que pode ter consequências nocivas à vida da pessoa afetada. Assim, é possível afirmar que não só a e vulgarização da exposição excessiva do usuário na internet, mas também a falta de percepção do limite entre o privado e o público fomentam os possíveis entraves do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que o conteúdo nas redes sociais promulga uma vida conectada, na qual é normal a exposição do indivíduo como forma de definição da posição social. Por exemplo, não é incomum a ostentação de um padrão de vida popular pelos artistas das novelas brasileiras, os quais sentem a necessidade de compartilhar momentos , inclusive os pessoais, a um contingente de expectadores. A partir dessa perspectiva, quando uma população se acostuma a esse caráter de exposição da alteridade, a percepção de pessoalidade é alterada, modificando o conceito do que é válido ou não na retratação da imagem alheia.

Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão da escassez do bom senso na contemporaneidade, a qual tem mostrado um caráter nocivo na percepção do que é normal. Segundo a empresa britânica GlobalWebIndex, o Brasil é o segundo país que mais passa tempo conectado à internet, o que sugere uma grande demanda de tempo destinado a um conteúdo que mostra uma linha tênue entre o que é pessoal ou coletivo. A priori, é inadmissível que haja uma falta de questionamento em relação ao comportamento em rede, o qual se apropria de uma imagem individual sem tomar como base o impacto que essa ação pode fazer advir.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de Ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram não somente sobre os perigos da apropriação de imagens, com exemplos reais de vidas afetadas, mas também acerca do correto comportamento a ser esperado na internet. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa no ambiente virtual e, por conseguinte, um perigo atenuado de comprometimento da vida de outro pessoa.