A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 19/11/2021

Na série televisiva “Dois homens e meio”, o personagem Charlie tem seus dados e suas fotos expostas na internet. Porém, ao buscar uma maneira de retirar do ar o conteúdo, toma conhecimento da dificuldade de se apagar algo na rede. Desse modo, percebe-se que a veiculação de fotos desautorizadas em meios virtuais pode causar sérios danos para pessoas do mundo inteiro, inclusive no Brasil. Nessa perspectiva, surgem como problemas a serem debatidos a vulnerabilidade de sistemas e os efeitos psicossociais dessas exposições.

Em primeira análise, segundo o historiador israelense Yuval Harari, um dos principais desafios do século XXI é a manutenção da privacidade nas redes. Com isso, evidencia-se que não há sistemas eletrônicos 100% seguros, o que facilita atividades ilegais – como a exibição pública de conteúdos privados. Isso se dá porque muitas pessoas sem conhecimento tecnológico se colocam em posições vulneráveis, como quando usam senhas fracas ou aplicativos maliciosos na proteção de fotos digitais. Dessa forma, a falta de conhecimento técnico por parte dos usuários impacta negativamente na segurança de seus próprios dados.

Outrossim, as consequências da superexposição de cenas indevidas na internet podem causar danos irreversíveis na psiquê humana e levar a pessoa exposta ao isolamento social. Nessa ótica vale lembrar que, segundo a psicologia freudiana, a intimidade é vista como sagrada e irredutível para a maioria das pessoas. Ou seja, a disseminação de arquivos que contenham algo sensível nesse sentido pode levar a casos de depressão, ansiedade e pânico. Logo, pessoas vítimas dessa conduta, além de terem preocupações legais e técnicas, ainda precisam lidar com a vergonha e o “bullying” decorrentes de tal crime.

Portanto, a fim de que se evitem danos futuros, é preciso que o Estado, por meio do Ministério da Educação, elabore um projeto de atualização curricular. Esse programa deve conter matérias como segurança virtual e direito cibernético. Tal política será aplicada em universidades e escolas por todo o país e contará com palestras de advogados e profissionais da segurança da informação. Com isso, os alunos desse projeto ganharão um arcabouço intelectual para mitigar a exploração de imagens ilegais no meio virtual. Assim, espera-se a redução de casos como o vivido por Charlie, em “Dois homens e meio”.