A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos
Enviada em 19/11/2021
Consoante ao filósofo italiano Norberto Bobbio, a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito à proteção e ao respeito por parte da nação. Contudo, a disseminação de imagens não autorizadas na internet infringe essas características. Infelizmente, se medidas não forem tomadas de forma eficaz, a situação piorará, afetando o bem-estar da comunidade usuária das redes sociais. Assim, a gestão política e atuação da imprensa agravam a vicissitude.
Nesse raciocínio, convém ressaltar que as autoridades contribuem para a acentuação das publicações de fotos ilegais. Isto pois, no século XX, com o declínio do regime liberal, surgiu o governo social, o qual pretende atender as necessidades da população, garantindo resguardo a todos. Lamentavelmente, o poder público possui dificuldades em proporcioná-lo, haja vista os dados da ONG Safernet: 81% dos vídeos de pornagrafia divulgados ilegalmente são causados por vingança pessoal. Logo, é nítida a falta de prioridade governamental em resolver a questão, o que motiva a impunidade e estímulo para que o problema perpetue. Como resultado, isso gera prejuízos psicológicos para as vítimas das postagens irregulares ao possibilitar que essa pessoa seja excluída de ambientes de trabalho, por exemplo, devido ao corrompimento da postura profissional. Por conseguinte, contrariando o pensador italiano, o cidadão torna-se desamparado.
Ademais, os meios midiáticos influenciam a presença de difamações. Segundo Darcy Ribeiro, o que opera a sociedade é um sistema de comunicação que contém um papel educativo fundamental. Entretanto, é evidente que a mídia não fornece mecanismo suficientes para a atenuação do impasse tecnológico. Por certo, essa afirmação é comprovada pela ausência de conteúdos que explicitem a situação aos espectadores, como a escassez de enredos novelísticos que ilustrem protagonistas que sofreram danos morais por terem intimidades postadas em perfis digitais. Desse modo, é impedida a conscientização do povo e, consequentemente, é favorecida a permanência do inconveniente
Portanto, é indubitável que ações precisam ser realizadas para mitigar a exposição virtual. Destarte, cabe ao Estado -como órgão responsável pela correção das mazelas coletivas- ampliar projetos voltados ao controle de divulgações não autorizadas, por meio de funcionários que recebam denúncias das vítimas, além de fiscalizar as fotos íntimas postadas sem o consenso dos envolvidos, a fim de inibir o dano mental. Outrossim, os canais de informação devem utilizar os programas para explicitar a seriedade da ocasião, com a exibição de infográficos que mostrem estatísticas sobre os malefícios do compartilhamento de recursos não liberados pelos autores, em busco de obter adesão popular à causa. Então, conforme Norberto Bobbio, a dignidade humana será preservada.