A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 19/11/2021

A série americana “13 reasons why” mostra Hannah Beak, uma aluna recém chegada a Liberty High. De início, a garota se torna amiga de um aluno popular na escola que a chama para sair, no encontro o garoto tira uma foto ítima de Hannah, sem o conhecimento dela, e a partir disso, divulga para todos na escola, hannah começa a ser difamada, humilhada e assediada nos corredores. Nesse sentido, fora dos filmes a disseminação de imagens não autorizadas na internet é presente no cenário brasileiro. E esse infortúnio é causado não só por falha ao proteger dados pessoais, mas também traz efeitos nocivos à vítima, como a punição social. Com efeito, debater sobre essa problemática é imprescindível.

Em primeira análise, somente 19% das vítimas que tiveram suas fotos divulgadas para fins pornográficos são homens, os outros 81% são mulheres, dados obtidos pela ONG Safernet. Desse modo, é evidente que as mulheres são o maior alvo dessa prática criminosa, conquanto a ausência de cuidados com arquivos pessoais são negligenciados por essa parcela da população, como exemplo, mandar fotos para recém conhecidos em redes sociais. Enviar fotos não é proibido, mas também não é garantido que aquele arquivo não será compartilhado com outras pessoas. A terceira Lei de Newton sugere que, para toda ação existe uma reação. Logo, romper o acesso aos dados pessoais como ação, é impedir que a violação dos seus direitos como reação.

Em segunda análise, é importante destacar que a sociedade é historicamente machista. Na época das reformas religiosas, as mulheres que eram acusadas de algum crime eram caçadas, torturadas e mortas publicamente. Na contemporaneidade, o corpo social continua com essa prática, a diferença é que esse linxamento se tornou virtual, em que a vítima além de ter sua privacidade invadida, ainda tem que lidar com sua reputação e imagem denegridas om palavras ofensivas, ao mesmo tempo que seu corpo é objetificado sexualmente. De acordo com o filósofo chinês Confúcio, não corrigir as nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros. Dessa forma, é necessário corrigir as punições sociais para que essas vítimas não sofram o efeitos dessas falhas.

Portanto, é mister que atitudes sejam tomadas para amenizar essa situação no Brasil. Para isso, a Mídia, grande difusora de informação, por intermédio da televisão e de páginas nas redes sociais, como “Quebrando o Tabu” deve divulgar vídeos com especialistas e psicólogos para falar desse assunto que incentive as pessoas a tomarem cuidado com quem possuem vínculos íntimos físicos e virtuais, os perigos disso e como podem denunciar, e para a população, os males de expôr e punir as vítimas desse paradigma e como devem acolhê-las. Além disso, o Poder Legislativo deve reforçar a lei que aumente o tempo de reclusão para os criminosos. Somente assim, esse infortúnio será resolvido no país.