A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos
Enviada em 08/04/2022
O filme “Ferrugem”, um longa-metragem brasileiro, retrata a vida da adolescente Tati, que perde o seu celular enquanto passeava com seu paquera Renê. No dia seguinte, vídeos íntimos da jovem são compartilhados em grupos escolares. Na sequência, a trama se desenvolve com a protagonista sofrendo “bullying” pelos colegas no que, sem nenhum amparo social e psicológico, culmina em seu suicídio. A obra cinematográfica aborda como a disseminação de imagens não autorizadas na internet pode ser problemática e seu efeitos estão ligados a prática de “sexting” e a aceitação social.
Primordialmente, o termo “sexting” é frequentemente usado para designar o ato de compartilhar conteúdos eróticos em aplicativos de mensagens e em redes sociais. Isto posto, dados da pesquisa realizada pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no ano de 2018 mostraram que, entre as meninas questionadas, 35% disseram já ter mandado fotos ou vídeos íntimos à alguém e cerca de 10% já tiveram o vazamento dessas imagens na internet. Como ainda, entre os anos de 2015 e 2017, 127 mulheres se mataram no Brasil por conta da exposição online, segundo a Secretaria da Mulher da Câmera dos Deputados.
Conseguintemente, uma das explicações para esse comportamento de “sexting” é a busca por reconhecimento público para aceitação social. No livro “Sapiens”, o historiador Yuval Harari destaca a importância da aprovação social para o convívio em grandes comunidades de caçadores-coletores e como a relação em grupos resultou na ascenção da espécie Homo sapiens. Nesse sentido, essa herança cultural reflete nos vínculos construídos na internet, pois há, por grande parte dos adolescentes, a falsa percepção de que a vida online é uma extensão da realidade.
Portanto, pelas problemáticas pontuadas, ficam imprescindíveis modos de modificação desse contexto. Para isso, cabe ao Poder Executivo, mediante o Ministério da Educação, aumentar os investimentos conscientes de tecnologias nas escolas, para a promoção de aulas e palestras que ensinam e alertam os alunos sobre as consequências da exposição das imagens íntimas na internet. Ademais, com a Câmera dos Deputados, criar leis mais rígidas para punir os responsáveis pelo compartilhamento. Só assim, realidades como a de Tati poderão ser evitadas.