A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 02/07/2022

Leis para injustiças históricas

Sancionada em 2012, a Lei Carolina Dieckmann tipificou delitos e crimes informáticos, inspirada na invasão do computador pessoal da atriz e a consequente divulgação não autorizada de suas fotos íntimas e conversas na internet. Sob esse contexto, atualmente, uma década após os ocorridos, ainda perdura a disseminação de imagens não autorizadas nas mídias digitais, que historicamente tem um viés de violência de gênero e gera efeitos psicológicos e sociais dolosos às vítimas. Portanto, medidas precisam ser tomadas para solucionar esse impasse.

Sob essa perspectiva deficitária, por alguns períodos da história do Brasil a igreja e o Estado legitimaram violências sobre o corpo feminino, naturalizando agressões físicas, morais e psicológicas que se perpetuam na atualidade. Nesse sentido, segundo dados de uma pesquisa do Projeto Vazou, 84% das vítimas de fotografias íntimas vazadas são mulheres, demonstrando que esse tipo de crime tem uma estrutura misógena e o objetivo de tirar a autonomia do corpo feminino. Ainda mais, por agredir o público feminino, em maioria, essa prática delituosa tenta abafar a sua liberdade sexual que ameça o equilíbrio das instituições sociais que às castigam e maltratam historicamente.

Ademais, a expressa falta de caráter associada a essa maldade gera impactos dolosos para todo o cenário da vida das vítimas. Desse modo, as pessoas que sofrem tal tipo de agressão podem desenvolver danos psicológicos como depressão, ansiedade, tentativa ou até o acometimento de suicídio e estresse. Por conseguinte, interferências sociais desestruturantes também podem ocorrer com muita frequência, como a necessidade de mudança de escolas, humilhações públicas, decepções e preconceitos, inibindo o bem-estar e o pleno desenvolvimento da vítima na sociedade.

Mediante tais argumenteos, é necessário intervir frente a disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos, tendo em vista sua situação de descaso que perpetua mazelas. Nessa lógica, cabe ao Ministério da Educação tornar real debates aducativos nas escolas para promovar uma rede de apoio, informação e educação aos jovens, com profissionais qualificados palestrando sobre as legislações condizentes, a saúde e os impactos sociais gerados. Assim, a juventude teria uma análise interdisciplinar sobre esse problema e aprenderia a não cometer tal erro, respeitar as vítimas e isso poderia contribuir para modificar essa histórica injustiça social.