A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 31/07/2022

Na série Elite, apresentada pela plataforma Netflix em 2018, a personagem Nádia teve imagens íntimas divulgadas na internet por um parceiro, tendo danos emocionais duradouros. Semelhantemente, no Brasil hodierno, muitos adolescentes já passaram pela mesma situação, tendo imagens não autorizadas disseminadas em mídias sociais. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de orientação em escolas do estado e o receio de expor a situação pelo julgamento social.

Em primeiro plano, há a falta de educação em instituições de ensino em relação à problemática, em virtude na inobservância com o tema. Segundo o célebre Sir Arthur Lewis, ensino nunca foi despesa, sempre foi um investimento com retorno garantido. Nesse contexto, é evidente que existe uma diferença notável entre a realidade atual e a proposta pelo Sir Arthur, que muitas vezes, não é aplicada e nem debatida.

Por outro lado, existe o medo e a vergonha das vítimas de denunciar ou expor o seu caso, pela sentença e preconceito da sociedade. Em uma pesquisa realizada pelo G1 em 2018, um em cada cinco adolescentes brasileiros, já sofreu o episódio de ter uma foto ou vídeo divulgado na internet, no qual não teve coragem para informar seus responsáveis ou algum agente público sobre o ocorrido. Dessa forma, é perceptível que jovens não tomam o cuidado necessário porque não tem apoio ou possuem um sentimento de apreensão sobre a própria situação, que diversas vezes, não tem culpa ou não foram orientados corretamente.

Distarte, para que a disseminação de imagens íntimas seja mitigada no Brasil, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Segurança Pública, crie projetos em escolas por todo o país que visem instruir sobre os cuidados com imagens íntimas em mídias sociais, através de palestras semanais, realizadas por psicólogos que, além disso, possam ser apoio emocional para estudantes que tiveram suas intimidades viralizadas na internet e que prefiram acompanhamento anônimo. Dessa maneira, casos como o de Nádia, apresentado na série ‘‘Elite’, serão diminuídos no Brasil, gradualmente.