A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos
Enviada em 05/08/2022
Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade, em “O Auto da Barca do Inferno”. É possível visualizar a perspectiva vicentina na disseminação de imagens não autorizadas na internet, visto que vítimas que sofrem dessa ação tem certo preconceito pela sociedade. Com isso, emerge um problema sério, em virtude do silênciamento e do recreio de denunciar.
Nesse cenário, ressalta-se de início, que o silênciamento é um fator do problema. Para Djamila Ribeiro " o silêncio e cúmplices da violência". Tal silêncio está presente no escasso exercício da denúncia da dissipação de imagens e usurpação de dados, no entanto a maioria desses crimes são por vingança ou golpe, onde as pessoas têm sua privacidade explorada. Assim é preciso que o silêncio deixe de ser cúmplice da violência, e o exercício da denúncia seja aplicado.
Além disso, outro fator influenciador e o receio de denunciar. Sob essa lógica, o imperativo catagorico, de kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão da disseminação de imagens, há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia.
É evidente, que tais entraves precisam ser solucionados. Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Justiça em parceria com as mídias de grande acesso divulguem amplamente os canais de denúncia, tanto via telefone, quando online, por meio de publicações na rede sociais e transmissões ao vivo, esclarecendo a importância das denúncias e a possibilidade de fazê-la anonimamente. Nessas transmissões seria viável convidar voluntários que foram beneficiados pelo exercio da denúncia a relatar sua experiência, afim de dismistificar e superar o receio da denúncia que muitas pessoas têm. Dessa forma, talvez, o universo de Gil Vicente permaneça apenas na ficção.