A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 20/08/2022

Em “O Auto da Barca do Inferno” o português Gil Vicente tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao complexo problema da disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos. Nesse sentido, percebe-se a consolidação da questão em função da impunidade e do individualismo que permeiam na sociedade brasileira atual.

Sob essa perspectiva, a impunidade mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. A máxima de Martin Luther King de que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar” cabe perfeitamente. Assim, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança no que tange a disseminação de fotos não autorizadas na internet e seus efeitos sob as vítimas deste crime virtual. Visto que os criminosos não sofrem as consequências, abrindo portas para que outros se sintam confortáveis para continuar com a divulgação das imagens.

Além disso, o individualismo apresenta-se como intensificador do problema. Na obra “Modernidade Líquida” Zygmunt Bauman defende que a sociedade pós-modernista é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, com o passar dos anos, o número de jovens com a saúde mental afetada cresce exponencialmente, pois a comunidade não acolhe e não olha para as vítimas do cyberbullying. Desta maneira, a liquidez que influi sobre a questão da divulgação das fotos não autorizadas funciona como forte impecilho para a sua resolução.

Portanto, é indispensável que sejam adotadas medidas que assegurem a resolução do problema. Para este fim, é necessário que o Ministério da Justiça, juntamente com o Ministério da Saúde, realizem ações conjuntas de punição e de atendimento psicológico aos criminosos e às vítimas. Este se daria em postos de saúde, por meio de acompanhamento profissional com psicólogos. E a punição dos agressores aconteceria por meio da agilização dos processos abertos, a fim de garantir que o cenário de impunidade seja modificado. Assim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.