A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos

Enviada em 15/08/2022

Segundo o escritor equatoriano Juan Montalvo, “Não há nada mais duro que a sua-vidade da indiferença”. De maneira análoga a isso, é possível observar a efetividade de tal premissa, uma vez que, grande parte da sociedade é indiferente no que tan-ge a disseminação de imagens não autorizadas na internet. Nesse prisma, desta-cam-se dois aspectos problemáticos importantes: o descaso midiático e a negligên-cia governamental.

Em primeira análise, nota-se que a inoperância midiática é um fator preponderan-te para a ocorrência da conjuntura que é pouco discutida. Sob essa ótica, assim como pontuou o filósofo Pierre Bordieu, aquilo que foi criado para se tornar instru-mento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica, como no caso da disseminação de imagens não consentidas nas redes. Dessa forma, sem a adoção de medidas capazes de combater a indiferença midiá-tica, parte das vítimas desse crime além de continuarem oprimidas e reféns do jul-gamento social, terão em sua maioria a saúde mental afetada, sendo os distúrbios alimentares e estados depressivos alguns dos efeitos desse óbice.

Além disso, percebe-se que a negligência estatal consolida o fortalecimento do entrave na sociedade, uma vez que, o direito a segurança não é alcançado pelas vítimas da disseminação virtual e que não há a efetividade na punição para a prá-tica. Evidenciando esse panorama, a teoria das “Instituições Zumbis” é a forma que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman classificou as entidades que não cumprem sua função social eficazmente. Dessa forma, é notória a ineficácia da garantia dos direitos civis, ao passo que, o corpo social ainda é submetido aos danos coletivos oriundos da disseminação sem ser punida. Consoante a isso, é evidente que a omissão do Estado perpetua o enraizamento dessa prática no país.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter a disseminação de imagens não autorizadas na internet. Dessa maneira, cabe a mídia e ao Minis-tério da Educação emitirem propagandas e palestras, visando acolher as vítimas e debater o problema com todos os cidadãos. Ademais, cabe ao Estado garantir a segurança e aplicar as leis punitivas. Somente assim, o óbice será combatido e a nação não permanecerá indiferente como na premissa de Juan Montalvo.