A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos
Enviada em 17/08/2022
O “Mito da Caverna” trata da importância de conhecer a realidade para chegar à criticidade. Hoje, pode-se relacionar a alegoria de Platão com a invisibilização da disseminação de imagens não autorizadas na internet, já que é uma prática crimi- nosa em que vítimas tem suas fotos ou vídeos divulgados no mundo virtual sem sua permissão, e que poucas pessoas sabem ou denunciam. Com isso, emerge um grave problema que se enraíza na sensação de superioridade e insuficiência legislativa.
Dessa forma, em primeira análise, o preconceito é um desafio presente no entrave. Grada Kilombola explica que certos corpos e determinadas indentidades são descriminadas. Tal descriminação é nítida no compartilhamento de fotos, uma vez que, de acordo com a ONG Safernet, 8 em cada 10 vítimas de nudes expostos são mulheres, e, em quase todos os casos, as vítimas são responsabilizadas pela sua exposição, enquanto os criminosos são poupados pela população. Logo, é preciso rever a intolerância existente na situação.
Além disso, cabe analisar a insuficiência de leis no tema. Dimenstein, escritor brasileiro, defende que as leis no país são inefetivas, que geram uma falsa sensa- ção de superioridade. Tal inefetividade é vista na disseminação de imagens não autorizadas na internet, visto que, apesar da Lei Carolina Dieckmann, o número de denúncias é relativamente baixo para o de ocorrências. Muitas vítimas de ciberbullying, por exemplo, não denunciam o crime por não saber que está in-cluído na lei ou por medo de impunidade para o agressor. Assim, é importante que a “cidadania de papel”, defendida pelo escritor, seja superada.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. Para isso, cabe ao poder público criar políticas públicas, por meio de investimentos na Lei Carolina Dieckmann, a fim de reverter a insuficiência legislativa que impera no compartilhamento de fotos não autorizadas na internet. Tal ação pode, ainda, conter pesquisas públicas para entender e priorizar as reais necessidades da população. Paralelamente, é preciso intervir na sensação de superioridade pre-sente na problemática. Desse modo, a alegoria da caverna poderá continuar a ser apenas um mito.