A disseminação de imagens não autorizadas na internet e seus efeitos
Enviada em 27/10/2023
Muito se discute o proveito das redes sociais e como é usufruído tal tecnologia. Tamanho é o uso e consequência, que a rede Globo, na novela “Travessia” alertou sobre o problema. No enredo, a personagem Brisa, mulher simples de uma cidade suburbana, ao publicar sua foto num site de compartilhamento, torna-se refém de brincadeira juvenil e maléfica. Em seguida, o escárnio de substituir o rosto de uma criminosa pelo da inocente e disseminar na rede, desgraça a vida daquela pessoa. Assim também, é a ingenuidade de internautas que julgam estar navegando anônimos num site seguro.
Nessa perspectiva, o exemplo crucial desta falha deu-se com Carolina Dieckmann, quando cibercriminosos invadiram suas contas virtuais para, em posse de suas intimidades, extorqui-la. Tal foi a repercussão, que deu origem a lei de mesmo nome para julgar crimes semelhantes. É um desafio mundial equilibrar o exibicionismo com o tempo exposto na rede. Aliás, a revista Forbes publicou, em 2022, que o Brasil é o terceiro maior consumidor de sites de compartilhamento no mundo, sendo 85% no Facebook e 81% para o Instagram e que somam 46 horas por mês navegando.
Além de todos os problemas, o exibicionismo desenfreado de momentos íntimos e fotos provocadoras trocadas entre parceiros no falso anonimato é propício para os famosos “cookies”, os quais permitem aos golpistas invadirem a privacidade. Com estes dados, manipulam, depenam contas bancárias e a tortura psicológica leva a vítima ao suicídio frente ao medo da desonra. Todavia, escreve Foucault em sua obra “Vigiar e Punir”, citando que a individualidade, quiçá oculta, não existe devido a vigilância sitêmica e, ademais, a punição é certa.
É preciso, portanto, endurecer as LGPD e validar a constituição que protege o direito de imagem. Destarte, conscientizar a população para surfar em sites com endereços “https” que oferecem segurança e, também, inibir o desejo com aqueles chamativos para o “like”. Por fim, “As redes sociais são muito úteis, oferecem prazer, mas são uma armadilha” segundo o sociólogo polonês Baumann.