A educação como solução ressocialização de detentos: utopia ou realidade?
Enviada em 20/03/2020
Por certo, a imposição da pena a condenado judicial não carrega um fim em si mesma, senão labora para uma efetiva reparação da vítima e, sobretudo, para a adequada, e pretendida, ressocialização do apenado. Nesse aspecto, sobressaem-se diversas formas de ressocialização, meios pertinentes e verdadeiramente condizentes com tal mister.
Dentre eles, tem-se o incentivo à educação, que, sob os auspícios da leitura, concorre, simultaneamente, para abreviar o retorno do apenado ao meio social, e para que aludido regresso se dê com vista a um indivíduo cuja visão do mundo se encontre aperfeiçoada, tornando-o um ser mais propício ao sucesso em suas relações interpessoais.
De fato, a leitura é, inexoravelmente, umas das mais poderosas ferramentas de transformação social já conferidas ao ser humano. Através dela, é possível conhecer o mundo, conceber uma pluralidade de ideias, transmitir sentimentos, idealizar projetos e, agora, também remir penas judiciais com o desiderato de ressocializar apenados.
Sob esse contexto, pois, a remissão da penas através da leitura se revela incentivo deveras importante e salutar ao indivíduo encarcerado que busca, nos livros, adquirir ou aprimorar seu conhecimento a respeito do mundo, das pessoas, da vida.
Com efeito, as obras literárias nos oferecem muito e nos permitem amadurecer e evoluir como ser humano, porquanto são produzidas por pessoas como a gente, à luz das experiências por elas vividas e superadas.
Sem embargo, não se pode olvidar dos desafios que existem perante a implementação e aprimoramento de projetos de leitura no âmbito do sistema prisional brasileiro. Há, em verdade, severos obstáculos que precisam ser enfrentados, dentre os quais é possível se eleger a ausência de contato prévio dos presos com a leitura, o que exige a elaboração de políticas públicas prisionais de ensino educacional idôneas a permitir que o apenado busque, por conta própria, a almejada ressocialização.