A educação como solução ressocialização de detentos: utopia ou realidade?

Enviada em 25/02/2021

Na obra ‘’Memórias do cárcere’’ do escritor romanista brasileiro Graciliano Ramos, é retratada as péssimas condições do sistema prisional do país e o quanto é défice a reintegração dos ex detentos na sociedade. Similarmente, quase 100 anos depois aparentemente nada mudou, uma vez que nos dias atuais ainda é visto as dificuldades no sistema carcerário atual e na ressocialização dos cidadãos. Isso ocorre tanto pela falta de atuação do governo, quanto pela ausência de empatia na contemporaneidade. Desse modo, torna-se fundamental o debate acerca desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, vale ressaltar que o governo federal não cria mecanismos que coíbam o empecilho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar social. Entretanto, isso não ocorre no Brasil devido à falta de atuação das autoridades, que não tomam medidas para melhorar o sistema prisional da federação, tanto em estrutura, quanto em educação profissionalizante para a integração no mercado e trabalho após cumprimento da pena. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postural estatal de forma urgente.

Ademais, é essencial salientar que outro promotor da reinserção dos ex reclusos está ligado a ausência de empatia na modernidade. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações interpessoais foram interferidas na sociedade atual com o surgimento de novas tecnologias. Bem como, atualmente, as pessoas não se importam com os outros. não exercendo assim, empatia. Desse modo, isso acaba interferindo na ressocialização dos ex presidiários, uma vez que nem todas as pessoas tem direito a segundas chances no âmbito social. Tudo isso, retarda a resolução do problema, já que a sociedade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate sobre a reintegração dos ex presos é imprescindível para a construção de uma sociedade mais justa. Nessa perspectiva, é imperativo que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, juntamente com o Ministério da educação, destine verbas para a inclusão do ensino profissionalizante nos presídios, por meio da inserção de seu objetivo na lei de diretrizes orçamentarias, com o intuito de inserir os cumpridores de pena no mercado de trabalho. Ademais, cabe ainda ao ministério da educação, lançar campanhas educativas nas mídias digitais parar diminuir o preconceito social sobre os ex detentos. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminha para a completude da ressocialização no âmbito prisional.