A educação como solução ressocialização de detentos: utopia ou realidade?
Enviada em 06/09/2021
No filme “Escritores da Liberdade”, baseado em fatos, evidencia-se o cotidiano da professora Erin Gruwell, que conseguiu mudar a realidade de seus alunos marginalizados, da periferia de Long Beach, a partir de um ensino revolucionário — o que prova que a educação tem o poder de transformar vidas. De maneira análoga, assim como os alunos, a maioria dos presos brasileiros também são excluídos, pois não têm acesso educacional. Nesse sentido, em razão de um sistema estudantil arcaico e de uma omissão governamental, emerge um grave problema: a não ressocialização de detentos.
Diante desse cenário, vale destacar que a forma como o modelo educacional atua na hodiernidade é uma forte causa à falta de oportunidades no país. Sob esse ângulo, ao se observar a forma como as aulas são ministradas na maior parte das instituições escolares, percebe-se que o padrão é sempre o mesmo, no qual os professores assumem uma postura de autoridade e testam o nível de conhecimento dos estudantes a partir de provas escritas, o que resume o índice intelectual deles a uma mera nota. Desse modo, é nítido que o panorama colegial é bastante engessado, uma vez que diversos alunos não têm suas singularidades valorizadas, como o dom artístico, o que, consequentemente, contribui às altas taxas de evassão escolar no país — que tornam esses ex-alunos muito mais suscetíveis á criminalidade. Assim, é mais que necessário a reformulação do padrão escolar para que todos sejam inclusos.
Nesse contexto de grandes exclusões, é importante salientar que a indiferença estatal é algo que contribui bastante para a não reinclusão de carcerários na sociedade brasileiros. Nesse viés, consoante o princípio da responsabilidade social de Hans Jonas, ser ético é basear suas ações com foco no coletivo e nas outras gerações. Sendo assim, ao se analisar a atuação do Governo diante do não acesso estudantil dos presidiários, nota-se que ele não cumpre o seu papel de forma ética, visto que, além de não garantir colégios públicos de qualidade, não oferece educação na maioria nos presídios, o que torna, de certa maneira, inviável a saída de um indivíduo do mundo do crime. A exemplo disso, tem-se um estudo do “GLOBO”, no qual somente 10,2% dos detentos nacionais têm acesso à educação. Logo, enquanto a falta de ética do Estado for a realidade, um ensino inclusivo e eficiente será a exceção.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação deve organizar uma reforma pedagógica, por meio da adição de uma nova matéria na grade de todas as escolas nacionais, a qual fará um acompanhamento exclusivo de cada aluno. a fim de diminuir os casos de evassão escolar, assim como os altos números de penitenciários. Por sua vez, o Congresso Nacional precisa elaborar um plano de ensino nas cadeias do país para, então, atuar de forma ética e tornar realidade a ressocialização de dentendos. Dessa forma, espera-se tornar a trama de “Escritores da Liberdade” cada vez mais comum.