A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 03/09/2019

Sob a ótica de Katarina Tomasevski - relatora especial da Organização das Nações Unidas- a educação é a chave para abrir outros direitos humanos. Todavia, a perspectiva de Tomasevski, muitas vezes, não é colocada em prática no Brasil, uma vez que o sucateamento do sistema educacional é persistente em muitas regiões do país, implicando no progresso da sociedade. Dessa forma, é fundamental analisar as causas que fazem dessa problemática uma realidade nacional.

A princípio, a educação deve ser incentivada pelo Poder Público. Segundo John Locke, em sua teoria contratualista, o Estado é gestor dos interesses coletivos e da harmonia social. Entretanto, essa máxima filosófica, muitas vezes, é falha no sistema acadêmico brasileiro, visto que muitas escolas não possuem estrutura física, transporte e alimentação de qualidade, como constatou o Censo Escolar 2015. Consequentemente, as precárias condições de ensino inviabilizam a permanência dos jovens no ambiente escolar, gerando acréscimo nos índices de evasão escolar, implicando no avanço do indivíduo cidadão visto pelo funcionalismo de Durkheim.

Ademais, a família - base de formação moral e ética do indivíduo - terceiriza a educação dos filhos para as escolas. Parafraseando Dalai-lama - líder religioso - toda ação humana precisa de motivação. Entretanto, observa-se, muitas vezes, pais que não acompanham o rendimento escolar, não participam de reuniões institucionais e não dialogam sobre a vida acadêmica dos filhos, como mostrou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escola. Como consequência disso, muitos jovens se tornam alunos problemáticos e inseguros, paralisando o processo educacional.

Em suma, a educação brasileira é marcada por fragilidades. Para atenuar tal problemática, é necessário que o Poder Público garanta a continuidade acadêmica dos indivíduos por meio de medidas assistências, como o auxílio a alimentação e transporte, a fim de garantir a integridade dos estudantes. Somando-se a isso, é necessário que o Ministério da Educação torne o vínculo da família e o ambiente escolar um fator cultural por meio da criação de eventos mediados por psicólogos e pedagogos que ajudem na interação de pais com alunos no e nas diversas formas de incentivar o altruísmo no cotidiano dos seus filhos. Talvez, dessa forma, seja possível garantir o progresso nacional por intermédio da educação e afirmar a cidadania plena dos brasileiros almejada por Durkheim.