A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 25/05/2020

A premiada obra cinematográfica “Sociedade dos Poetas Mortos” retrata a evolução das personagens pelo viés educacional. Assim como na ficção, a realidade demonstra que a educação é um veículo transformador e precisa ser reconhecida como tal. Nesse sentido, é fundamental que o Estado não seja omisso em investimentos educacionais e que o acesso a esse direito seja democratizado.

Em primeiro lugar, o Brasil precisa cumprir o pacto estabelecido com os cidadãos. Nessa perspectiva, o filósofo John Locke propôs que os indivíduos entreguem tributos ao Estado, que, em contrapartida, deve oferecer garantias legais a todos: o chamado “contrato social”. Ocorre que é problemático e perverso que o sistema educacional não receba os devidos investimentos – financeiros e estruturais  – ainda que sejam cobrados impostos altíssimos da população, conforme preconizado pelo contrato Locke. Dessa forma, se a negligência governamental persistir, a sociedade poderá não passar pela transformação que a educação proporciona.

Além disso, é preciso que a educação de qualidade seja democratizada. A esse respeito, o cronista Ahab Medeiros cunhou o termo “Cidadão Gourmet” para referir-se a pessoas que, por privilégios, transitam em locais que o cidadão trivial não tem acesso. O conceito “gourmet”, denunciado por Medeiros, dialoga com a educação brasileira à medida que a grande massa de estudantes precisa lidar com inúmeras adversidades, como precariedade do ambiente escolar, má formação docente e currículo defasado, enquanto estudantes de poder aquisitivo maior acessa ambientes que não possuem esses problemas.

Portanto, a educação carece de cuidados, haja vista seu papel transformador na sociedade. Para tanto, o Ministério da Educação, que o maior responsável pelo tema, deve investir na estrutura escolar e na formação continuada dos professores, por meio de destinação de verbas e cursos capacitadores, os quais podem ser disponibilizados pela internet, com a finalidade de levar qualidade de ensino para todas as camadas sociais. Além disso, os alunos podem ter acesso a videoaulas de “escolas modelos”, por meio de parcerias público-privadas, com o intuito de melhorar a formação básica. Então, a evolução vista na “Sociedade dos Poetas Mortos” poderá ser vislumbrada no Brasil.