A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 06/11/2021

A  Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto,na conjuntura contemporânea,nota-se que essa prerrogativa não é efetiva na prática, em virtude da persistência da desvalorização da educação no âmbito social, a qual é de extrema importância e serve de veículo de mudança na sociedade. Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a falta de participação das famílias impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que os obstáculos da educação estão intrinsecamente relacionados à inobservância estatal. Segundo Thomas Hobbes, teórico contratualista, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar de uma comunidade. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Hobbes, uma vez que os investimentos direcionados ao setor educacional são mínimos e não conseguem atender a todas as necessidades dessa área, como a melhoria na infraestrutura das escolas. Desse modo, milhares de indivíduos são prejudicados por esse descaso governamental e, consequentemente, não desenvolvem habilidades primordiais, como a empatia, respeito ao próximo e boa comunicação social.

Outrossim, vale salientar que a falta de envolvimento familiar na educação dos filhos dificulta o processo de aprendizagem desses sujeitos sociais.  De acordo com a Agência Brasil, 12% dos pais são comprometidos com a educação dos filhos. Nessa perspectiva, ao observar esses dados, percebe-se que muitos pais tangenciam a educação dos filhos e não participam do processo de aprendizagem. Dessa forma, uma parcela do público jovem cresce apenas com o direcionamento proporcionado pelas instituições de ensino, as quais, em sua maioria, não conseguem preparar os discentes com senso crítico suficiente para promover mudanças na sociedade.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para promover a educação em todo o território nacional. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela formação civil - investir em infraestrutura nas instituições de ensino, como a ampliação de salas de aulas, compra de materiais escolares, haja vista que esse setor carece de investimentos. Isso deve ser feito por meio do Tribunal de Contas da União, o qual deve ampliar o repasse de verbas para a educação, a fim de melhorar as escolas e, concomitantemente, colaborar para o aprimoramento de competências essenciais para o convívio social harmônico. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na constituição.