A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 17/03/2020
Na Grécia antiga, o filósofo Platão expôs a teoria de que o mundo seria dividido em dois: o mundo perfeito, das ideias, e o mundo sensível. De acordo com ele, sabedoria e conhecimento adquiridos através de uma educação filosófica servem como forma de libertar o homem da ignorância do mundo sensível, ao possibilitar a fuga do senso comum. Analogamente, no contexto contemporâneo brasileiro, vê-se que a educação de péssima qualidade enfrentada por alguns setores da sociedade, provocada por negligência das autoridades competentes, influencia negativamente em questões de ordem social e política no país.
Antes de tudo, convém ressaltar o papel da educação no processo de ressocialização de presos. A esse respeito, o sociólogo Émile Durkheim defendeu que a socialização seria o meio pelo qual o indivíduo integrar-se-ia à sociedade. Nesse sentido, caberiam às prisões inserir novamente os infratores no corpo social. Ademais, de acordo com dados do Centro Internacional de Estudos Prisionais, apenas cerca de vinte e dois por cento dos presos brasileiros são reabilitados socialmente, ao passo que em países que utilizam a educação na ressocialização, como a Noruega, tal índice chega a oitenta por cento. Portanto, torna-se nítido o papel transformador da educação como motor de mudanças positivas na sociedade. Além disso, fica evidente que o sistema carcerário brasileiro é bastante retrógrado em relação ao restante do mundo e que muitos políticos ignoram tal problemática.
Outrossim, é de suma importância destacar a função da educação no processo de participação política do povo. Acerca dessa premissa, o pensador Aristóteles defendeu o pensamento de que o homem é um animal político e caberiam aos ensinos filosóficos colocar o indivíduo frente às questões da comunidade. Nesse âmbito, dados da ONU sugerem uma similaridade entre os países de melhor educação e aqueles de maior acesso à democracia, com Noruega e Suécia liderando o ranking. Infere-se, assim, a primordial função da democratização do acesso à educação como instrumento de inclusão ativa na política de maior parte da população nacional.
Em suma, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, promover a inclusão de profissionais da educação no sistema penitenciário. Tais profissionais deverão, além de incentivar a prática esportiva, promover a troca de conhecimentos para com os presos. Além disso, cabe ao Ministério da Educação incluir na disciplina de sociologia o ensino acerca dos processos da política e a importância de questionar líderes, ações e ideais políticos. Com tais medidas, espera-se que haja uma maior ressocialização dos presos na sociedade, como solicitado por Durkheim, e que a educação ganhe o espaço sugerido pelos filósofos da antiguidade grega.