A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 29/03/2020

O Iluminismo do século XVIII, movimento ideológico, liberal e progressista, por meio de um de seus representantes, o filósofo Denis Diderot, conferiu à educação o caráter primário da cidadania e do indivíduo enquanto parte de um arcabouço social. Esse importante marco evidencia, anacronicamente, o papel do âmbito educacional ora na formação pessoal, ora na construção de uma sociedade democrática a qual possui coercitividade suficiente para manter o funcionalismo do Estado mediante, ou não, representantes. No entanto, a falta de qualidade tocante à infraestrutura das mediadoras do ensino atualmente, no Brasil, reflete um potencial mau uso da democracia por parte dos cidadãos.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, a real função da educação na sociedade: moldar indivíduos. Assim como teorizado por John Locke, segundo o princípio da “tábula rasa”, o indivíduo é um mero reflexo de suas experiências vitais. Com base nisso, a educação foi arquitetada para ser um meio para capacitar as pessoas à pratica cidadã: o, com efeito, uso da liberdade diante das diretrizes e idiossincrasias governamentais. Logo, verifica-se que essa possui caráter fundamental, sobretudo, visando à estabilidade do Estado.

Ademais, contudo, se a realidade governamental do país não fomenta sequer o decente funcionamento das mediadores da educação - escolas, universidades, etc -, observar-se-á um problema que competirá aos indivíduos afetados. Nesse sentido, sabe-se que, de acordo com o artigo 6 da Constituição Federal de 1988, é direito de todos o acesso à educação de qualidade e gratuita, entretanto, também é fato que a realidade é dissonante, o que foi discutido no livro “O Cidadão de Papel” de Gilberto D., no qual o autor critica a efetividade teórica das leis no Brasil. Destarte, esse quadro corrobora as ideias anti-democráticas de Sócrates, à medida que, sem amparo educacional, os cidadãos não possuem pleno reconhecimento da sociedade como um todo maior, o que abre margem, por exemplo, para demagogos, como Hitler e a nefasta Alemanha nazista do século XX, assumirem o poder.

Infere-se, portanto, visto a tempestividade da problemática, que é dever do Ministério da Educação, por meio do direcionamento de verbas governamentais, focar, a priori, no financiamento da infraestrutura de instituições de ensino brasileiras necessitadas e, quiçá, a posteriori, construir novos polos educacionais de qualidade. Somente assim, objetivando aproximar o indivíduo do exercício da cidadania, e a educação de sua conjuntura ideal, observar-se-iam indivíduos formados pelas experiências vitais da educação preconizadas pelo Iluminismo, mormente, “diderotiano”.