A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 17/04/2020
A discussão de temas educacionais tem ganhado espaço na sociedade contemporânea. Diante dos desafios enfrentados por professores, alunos e pela família, levanta-se o seguinte questionamento: a educação é um mecanismo de mudança social? A resposta é complexa e remonta questões de cunho estruturante, por um lado, o paulatino desmonte da educação pública e a busca excessiva por números e não de conhecimento propriamente dito, por outro, a luta diária de professores na tentativa de reconstruir e dar novo significado à educação.
Inicialmente, é importante parafrasear o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, afirma ele que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Vê-se aqui que o início da transformação social se daria através da vinculação: sociedade e educação. Contudo, nota-se que a educação encontra-se em um processo crescente de mercantilização e busca apenas por índices numéricos favoráveis, contanto ainda com investimentos paupérrimos. No Brasil, por exemplo, segundo dados do próprio Ministério da Educação, houve a diminuição em média de 12% dos investimentos no setor educacional.
Num outro extremo, há uma camada que ainda acredita na educação enquanto mecanismo transformador. Os professores, na maioria dos casos, mau remunerados, desrespeitados e sem apoio teórico metodológico para desenvolver as suas funções, ainda resistem. O pesquisador Antônio Nóvoa, aponta que as demandas educacionais cresceram brutalmente, o papel do professor expandiu-se, passou a ser visto como “integrante da família”, como uma espécie de psicologo, ou ainda, como uma espécie de juiz na resolução de conflitos que extrapolam o ambiente escolar.
Portanto, vê-se que o caminho a ser percorrido é longo e complexo. A educação pode ser sim mecanismo de transformação social. Contudo, são necessárias iniciativas das instituições: Estado, família, sociedade e escola, na reconstrução do processo educacional, não apenas pautado em dados, letramento, ou resolução de conflito, mas na formação crítica do alunato.