A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 22/04/2020

Dilema machadiano

A luta da paquistanesa Malala Yousafzai pela educação num país com alta segregação de gêneros e ditatorial, fruto da relação de grupos extremistas com o poder, quase tirou-lhe a vida após ser baleada em 2012. Dessa forma, nota-se a importância do ensino na sociedade, capaz de suscitar batalhas pela sua conquista e a agressividade dos interessados por restringí-la. Entetanto, o aprendizado, hodiernamente, perpetua dilemas históricos que podem ser exemplificados através de clássicos literários de Machado de Assis ao conectá-los com a importância do estudo para os indivíduos e a estagnação do ambiente escolar para a promoção desse.

Nesse sentido, é indubitável a valia que a educação pode promover em cada geração ao propiciar o acúmulo de experiências pelo estímulo cultural. Nas palavras machadianas do livro romancista “A mão e a luva” :" Tornar-se um ser humano mais lúcido com as letras é bem menos doloroso do que com uma interminável revisão dos seus próprios erros", ou seja, a partir da bagagem de conhecimento advindo da interação entre mestre e aluno garante-se a formação de um cidadão consciente de suas atitudes, crítico e detentor da ética, não apenas um possuidor de mão de obra especializada. Em suma, permitindo a formação de um ser não passivo e mediador de transformações benéficas.

Contudo, o local criado especificamente para a construção do ensino, há algumas décadas, está enfrentando uma crise. Ainda no século XIX, quando escrito o “Conto de Escola”, Machado de Assis narra detalhadamente a ânsia da personagem principal para afugentar-se desse lugar, pois o céu azul e os acontecimentos do lado de fora apresentavam-se mais convidativos. Na era digital, tal anseio se intensifica, visto que as tecnologias de entretenimento estão amplamente difundidas. Além disso, a sobrecarga de papéis que esta instituição recebe esgotam-na ainda mais, porquanto muitos pais eximem-se do ensino moral imprimindo à ela, consoante, ocorre a falta de investimentos governamentais na formação de educadores capacitados e na compra de equipamentos.

Destarte, ao cabo de reduzir a dualidade sintetizada pelo maior ícone da literatura nacional, medida se fazem prementes. Desse modo, cabe o Ministério da Educação adicionar o ensino digital na grade curricular, comprando equipamentos tecnológicos adjunto a profissionalização dos professores para garantir o sucesso da medida; por meio dessa a compreensão tornar-se-a mais interessante. Ademais, deverão ser contratados psicólogos para aliviar e auxiliar no tratamento de estudantes sem base familiar. Afinal, como mostrou Malala, a educação vale a pena e não se deve estabelecer limites para alcançá-la.