A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 26/04/2020
O filme “Sociedade dos poetas mortos” retrata um grupo de amigos em um colégio extremamente rígido que mudam drasticamente com a chegada do novo professor de literatura, responsável por despertar neles a vontade de melhorar a si mesmo e melhorar o mundo, através de uma didática singular, de poemas e da leitura. Esse cenário inspirador e otimista acaba fadado somente à ficção em um país como o Brasil, onde a desvalorização e o sucateamento do ensino público levam ao rompimento do processo democrático e à impossibilidade de mudança.
Antes de tudo, a máxima de se valorizar a educação está longe de ser recente, pode ser considerada uma das heranças do período greco-romano, quando se inicia o costume de a aristocracia ser instruída pelos melhores mentores. Fato que se comprova com o exemplo de Alexandre, o Grande, que tinha Aristóteles como seu mentor. Em contrapartida, o ensino primário e superior público brasileiro, infelizmente, vem sofrendo mais cortes a cada governo que mostram, além do completo descaso, um sucateamento institucional da educação. Essa realidade não só gera danos incalculáveis ao conhecimento humano, como também, danos econômicos a partir da dificuldade de especialização para a população dependente dos serviços sucateados. Tal dificuldade, em um mundo globalizado exigente de mão de obra cada vez mais qualificada, resulta no agravamento da desigualdades sociais e cria um ciclo vicioso de pobreza que mina a esperança da possibilidade de mudança na sociedade.
Ademais, modificações se tornam ainda mais impossíveis pela carência de entendimento popular de conceitos importantes. Na Antiguidade clássica, o ensino da retórica, a arte de falar bem, e política eram especialmente valorizados na pólis de Atenas, regulamentada pela democracia. O reconhecimento da importância de tais ensinamentos existia pois a incompreensão do processo democrático pelos cidadãos configura uma barreira intransponível para o seu estabelecimento. No Brasil, porém, é evidente a falta de compreensão da política pelo povo, o que coloca em cheque a soberania popular e a própria democracia. Por consequência, sem a soberania garantida, o povo se torna refém do governo que deveria servi-lo e o que se garante é a manutenção do “status quo”.
A educação, portanto, é imprescindível para o tipo de mudança social que parte do povo e do processo democrático. Para tanto, o governo deve criar novas políticas que visem melhorias no currículo escolar público a fim de que esse se adapte às necessidades atuais dos jovens e do mercado de trabalho. Dessa forma, com as novas adaptações, as escolas e o ensino se tornarão agradáveis e a valorização deles partirá dos próprios jovens, assim como partiu dos adolescentes no filme, que agora dispõem do conhecimento, a força motriz da mudança pessoal e social.