A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 20/04/2020
O ativista Nelson Mandela, ao enunciar que a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo, apontou para uma veículo capaz de ser usado como meio de mudanças sociais. Todavia, ao se tratar da realidade do Brasil, entende-se que diversos fatores impedem o uso eficaz da educação como um vetor de tranformação de um caráter social passivo, fortemente presente na população. Diante disso, é necessário entender as incoerências no processo educacional brasileiro, bem como a sua relação com a qualidade de vida da população, de modo a alterar esse danoso cenário.
É válido salientar, a princípio, que a construção do processo educacional é um fator fundante para a ocorrência desse problema. Diante disso, ao analisar, no Brasil, um método de ensino-aprendizagem pautado, segundo o pedagogo Paulo Freire, em um modelo ‘‘bancário’’- no qual o conhecimento é tão somente depositado no indíviduo, sem instigá-lo à criticidade -, é notório que a composição educacional do país torna-se incoerente, uma vez que a capacidade cógnitiva e o senso crítico do aluno ficam, muitas vezes, presos a uma carga excessiva de conteúdos, o que o faz agir de maneira mecânica na sociedade e impede a ruptura do caráter passivo em que se encontra, lamentavelmente. É evidente, ainda, que tal cenário pode ser comprovado por pesquisas do site G1.com, que apontam que apenas 8% dos brasileiros alfabetizados conseguem interpretar qualquer tipo de texto e resolver problemas que envolvam leitura complexa, o que justifica a necessidade de mudança nesse danoso contexto.
Além disso, seria ingenuo não destacar que a educação está diretamente relacionada à qualidade de vida da população. Nesse âmbito, é preciso entender que o caráter histórico do Brasil, enquanto exportador de ‘‘commodities’’ - produtos e serviços de baixo valor agregado e que, geralmente, não necessitam de muita especialização tecnológica e intelectual para serem produzidos, como a soja -, pode ser explicado pelo baixo aparato educacional da nação e reforça a aptidão de grande parte dos indivíduos brasileiros à trabalhos de baixa remuneração e baixa exigência educacional. Diante disso, é possível entender o baixo índice de desenvolvimento humano do Brasil( IDH ), como um fator relacionado ao baixo poder educacional do país, que ocupa apenas a 68ª posição na disposição geral, mostrando a necessidade de mudança nesse questão para resolver o problema abordado.
Portanto, é de fundamental importância que o Estado brasileiro, por Meio do MEC, promova um processo educacional eficaz, com foco no conteúdo prático, inserindo, na base curricular nacional, disciplinas que incitem o desenvolvimento intelectual dos indivíduos, como ‘’leitura e letramento’’ e ‘‘gestão de negócios’’, de modo a capacitá-los coerentemente para o mercado de trabalho e para mudanças no caráter social passivo em que se encontram, distanciando a realidade da ficção citada.