A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 24/04/2020
Os filósofos oriundos do Iluminismo –junto ao seu entusiasmo quanto ao conhecimento e seu foco antropocêntrico - tratam a educação como principais influenciadores de revoluções sociais e individuais. Kant, por exemplo, é um filósofo alemão da época, que acreditava que o conhecimento é capaz de gerar a superação da menoridade, e, assim, atingir a autonomia de seu próprio pensamento. Nessa lógica, o indivíduo torna-se capaz de ir além do que lhe é pré-estabelecido, e pode, por sua vez, constituir mudanças significativas em seu entorno. Entretanto, o modo como o saber, hoje, é manipulado como meio e não como fim (isto é, apresenta caráter utilitarista e não contemplativo), além da sobrecarga do ensino público e dos profissionais da educação contribuem para a dificuldade de alcançar a maioridade intelectual e, dessa forma, gerar mudanças na sociedade.
Segundo Durkheim, a partir do modernismo, a coletividade capitalista constitui-se segundo a solidariedade orgânica, que se entende como uma coesão apoiada na interdependência entre os trabalhadores. Diante disso, o conhecimento é, por consequência, fragmentado entre aqueles que constituem o corpo social. Assim, quando se há a necessidade de se obter o esclarecimento quanto contemplações e dúvidas, não se há o trabalho ativo em busca de respostas, mas sim a apropriação de formulações já feitas. Essa dinâmica dificultaria a motivação científica de Weber, em que as buscas por diversos pontos de vista são capazes de gerar comportamento mais moral em relação a suas ações, pois esse estudo proporciona maior clareza de pensamento.
Além disso, o pouco investimento escolar e o extremo encargo direcionados aos profissionais da educação geram prostração tanto por parte dos discentes, quanto dos docentes. Esse fato explica-se, primeiramente, pela infraestrutura precária de grande parte de escolas públicas, em que, dificilmente, proporcionam o conhecimento a partir de aulas práticas (em que o aluno é posto como figura ativa na obtenção do conhecimento). Ademais, a falta de valorização dos professores gera desmotivação e falta de recursos para ultrapassagem de conhecimento. Ainda, a concentração de riquezas forma alunos - principalmente da rede pública - que não tem os estudos como prioridade, pois precisam trabalhar.
Diante dos argumentos expostos, a educação se tornará meio de mudança social no momento em que a realidade lhe poder proporcional ações ideais. Entre essas realizações, pode-se, inicialmente, por parte do Ministério da Educação, garantir maior investimentos ao Sistema Público de Educação, para, desse jeito, estimular o conhecimento contemplativo a partir de aulas mais dinâmicas e, assim, exigir do estudante a criação do conhecimento, e não só a sua absorção. Por fim, o maior enaltecimento da figura do professor geraria, progressivamente, fomento na qualidade de suas aulas.