A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 25/04/2020

A Revolução Meiji foi responsável por uma mudança significativa do Japão dominado para uma grande potência. Em consonância a isso, a transformação no país citado só foi possível devido a valorização da educação. Dessa forma, para que o ensino sirva como veículo de alteração na sociedade brasileira é necessário quebrar com as barreiras da manipulação e da opressão no espaço educativo.

A princípio, vale salientar que as informações ensinadas em salas de aulas são selecionadas pela elite, o que evidencia o caráter manipulativo do aprendizado. Isso é nítido porque muito do que está escrito nos livros didáticos é resultado de uma visão unilateral da história, por exemplo. Com isso, tem-se a reprodução de ideias eletistas na educação, mantendo em ativa a desigualdade social. Tal panorama é elucidado pela teoria do filósofo Pierre Bordieu de violência simbólica, quando o autor coloca em pauta o conceito de capital cultural, o qual discrimina pessoas não intelectuais, uma vez que não apresentam diplomas ou conhecimento artístico. Dessa maneira, fica nítido que a manipulação do que é tido como “ser educado” marginaliza culturas diferenciadas, o que impede uma efetiva mudança social.

Além disso, a forma de educar não sofreu grandes avanços. Pode-se notar que a dinâmica ainda coloca o aluno como espectador em sua própria sala de aula, além do não uso de tecnologia para ampliar o aprendizado. Essa realizada é questionada pelo autor Paulo Freire, o qual compara o estudante como um ser oprimido, o qual apenas “se alimenta” do que o opressor o fornece sem questionar. Por isso, a educação brasileira na sua atual conjuntura não é capaz de revolucionar o âmbito social, pois não é dado ao cidadão o poder de crítica. Assim, o ambiente de aprendizado é tido como desumano, uma vez que a formação do pensamento e da opinião do indivíduo são irrelevantes em um espaço doutrinador.

Portanto, para que a educação seja um real instrumento de mudança, é urgente uma intervenção nos meios de ensinar. Para isso, o Ministério da Educação, como responsável pela qualidade de ensino, precisa garantir a todos os estudantes um aprendizado igualitário, por meio da adoção de um currículo escolar com matérias que contenham diferentes pontos de vista e culturais, para que o cidadão possa escolher o seu posicionamento. Concomitantemente, a escola, como formadora de ideias, precisa fazer com que os alunos sejam os protagonistas, por intermédio de aberturas as quais condicionam o ser a questinar, a fim de criar pensamento crítico. Dessarte, como na revolução Meiji, a mudança  social poderá ocorrer de forma concreta, pois os indivíduos serão possuidores do poder da mudança.