A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 29/04/2020
A escritora Carolina Maria de Jesus, pela materialização de suas memórias em diários, compilados na obra “Quarto de Despejo”, erige uma imperiosa ferramenta para uma vida edificante: a educação, graças à qual foi capaz de superar a fome, de resistir às hostilidades da favela do Canindé e de consolidar-se no panorama da literatura internacional. Hoje, frente à inconstância de valores e à habitual supressão de nossos direitos, é vital resgatar educação como veículo de mudança na sociedade, com o fito de legitimar o acesso aos algorítimos da cidadania.
Sob essa ótica, para cristalizar a educação como um talismã de transformações positivas, é indispensável que esse direito fundamental seja abordado de forma transdisciplinar. Essa máxima é confirmada ao nos reportarmos para o fato de que por interposição desse instrumento uma sociedade se mantém vigilante sob seus direitos e, inclusive, torna-se incapaz de se submeter a falsas promessas políticas - tal como elucida Carolina Maria de Jesus, ao demonstrar-se crítica diante do panorama brasileiro de 1950. Acresce-se ao exposto que, para uma cabal mudança na sociedade, é preeminente reconquistar valores frutíferos muito esquecidos, a exemplo da polidez, da boa fé e da solidariedade, dos quais a educação, por meio de dinâmicas de lúdicas e integrativas, é alavanca. Depreende-se, pois, que o poder da educação não se restringe somente à interpretação de fórmulas ou de conceitos canonizados pela ciência e, sim, figura como veículo efetivo de modificações na sociedade.
Em outro viés, urge que a educação seja assimilada pela sociedade como o caleidoscópio que focaliza a esperança, especialmente para superar e resistir às retóricas de desigualdade, de preconceito e de violência que parecem orquestrar as ações do mundo moderno. Com o fito de levar essa promessa à cabo, é imprescindível estabelecer políticas públicas que canalizem esforços para assegurar esse Direito Humano a todos os indivíduos, bem como para reafirmar e valorizar a identidade das instituições e dos profissionais de ensino. Faz-se notória, portanto, a necessidade de transformar a educação em pauta nas agendas nacionais, a fim de consolidar o preâmbulo de uma revolução benéfica na humanidade.
Infere-se que, mediante ao potencial que da educação como veículo de mudança na sociedade, é crucial fortalecer o papel basilar do Estado de garantir os Direitos Humanos, especialmente o direito à alimentação, à saúde e ao emprego, a fim de dirimir a evasão escolar e mitigar a desvalorização da educação, creditadas à inaplacável ausência desses algorítimos da cidadania. Ademais, é pertinente uma abordagem transdisciplinar da educação, a qual concerna a dinâmicas de ensino capazes de nivelar assimetrias sociais, ceifar estigmatizações e aplicar a empatia. Procedendo-se assim, a essa garantia de primeira dimensão é creditada uma sociedade cujo futuro é promissor e harmônico.