A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 28/04/2020

Sociedade estamental, ate quando?

Desde os primeiros povos da antiguidade, as sociedades são constituídas em sistemas nos quais poucos controlam muitos. E uma das formas desse controle é baseada na doutrinação e negação da oportunidade de “ascensão social”, formando as sociedades estamentais, porem o acesso a educação de qualidade é a forma mais eficaz de garantir que esse modelo não se faça presente no século XXI, ainda que alguns avanços sejam marca de desigualdades perpetuadas durante séculos.

Por um lado, o Brasil na última década teve uma significativa mudança no perfil socioeconômico das pessoas que passaram a frequentar as universidades. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, 53% dos universitários de universidades publicas se declararam pretos ou pardos. Pela primeira vez na história populações marginalizadas passaram a ser de uma certa forma maioria, esse dado reflete a tamanha desigualdade que o acesso a educação pode acarretar na vida das minorias. Em um país com a maior população negra fora do África chegar a esses números somente no ano passado mostra como o estado se omitiu por mais de um século em manter velhas formas de controle social, negando o principal veículo de mudança, a educação.

Por outro lado, podemos destacar que os problemas estruturais vindo da base escolar sejam um fator desestimulante para o interesse pela educação. Muitos estudantes não manifestam o interesse pela educação porque vêm nela algo que não os permite estar conectado com o que de fato realmente gostem, muitos perdem o interesse por acreditar que não sejam provas, formulas matemáticas, regras gramaticais a chave para o seu “futuro de sucesso”. Para ser um veículo de mudança realmente efetivo a escola deve estar conectada com a forma que o aluno se sente mais motivado em aprender, para permitir que mudar sua realidade não seja um desafio árduo e cansativo que no final uma nota vai decidir se ele é bom o suficiente ou não, e educação muda, mas também precisa ser repensada.

Pode-se concluir, portanto, que a educação é a forma mais digna e honrada de apagar estigmas sociais que assolam quem pode ter acesso ou não mesma. Visto isso, se faz necessário ampliar programas sociais que auxiliem na reparação histórica do acesso ao ensino superior e fortalecer a Lei de Cotas. Ademais, reestruturar o PNE (Plano Nacional de Ensino) desde a educação primária, para tornar a educação algo estimulante, fazer o estudante se sentir valorizado, e capaz de alcançar a mudança da sua realidade.