A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 23/04/2020
A obra “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, descreve uma distopia em que a posse de livros é considerada crime, visto que representam uma ameaça ao modelo social vigente, de forma que sejam queimados por bombeiros. Paralelamente, tal ideia é reforçada pelo educador Paulo Freire ao colocar a educação como instrumento de transformação, sendo evidente que, enquanto estrutura de formação social, a educação se faz responsável por reproduzir e transmitir os valores socioculturais, de forma a ser, portanto, veículo de mudança na sociedade.
Constata-se a indagação sobre o papel da educação desde os séculos passados, separado entre salvador ou reprodutor. De acordo com o filósofo Michel Foucault, todo sistema educacional é uma forma política de manter ou modificar discursos, saberes e poderes, evidenciando que o papel da educação é simultaneamente, salvador e reprodutor. Logo, é ao moldar o ensino, que consequentemente se molda a sociedade, mudando-a.
Em segunda análise, a instituição escola, personificação da educação, é onde se forma, segundo o sociólogo Durkheim, o “ser social” que compõe a a sociedade. Tal instituição falha a medida que degenera a coesão social, uma vez que não respeita a diversidade intelectual dos seres sociais - alunos - que a frequentam, de forma a cumprir somente seu papel reprodutor, implicando na não promoção de uma mudança na sociedade contemporânea.
Em suma, a fim de mudar pessoas para que mudem o mundo, através da educação, como prevê Paulo Freire, são necessárias reformas no sistema de ensino. Tais reformas, responsabilidade do Governo Federal, devem consistir em investimentos no Ministério da Educação, os quais proporcionarão a valorização de professores, através de capacitações e aumento de salários, a fim de buscar um novo modelo para suprir as diversidades intelectuais. Lembrando que, ao escolher líderes que valorizem a educação, evita-se que distopias, como a de Bradbury, “Fahrenheit 451”, ganhem proporções realistas.