A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 28/04/2020

No longa metragem dirigido por Selton Mello, “O filme da minha vida”, denota Tony Terranova, morador de uma cidade interiorana, que saiu de sua terra natal para estudar em busca de uma qualidade de vida melhor. Tendo em vista, no entanto, não é todo jovem brasileiro que dispõe das mesmas oportunidades para alcançar essa condição, em decorrência do contexto socioeconômico em que está inserido. Percebe-se, portanto, uma relação direta entre ascensão social e conjuntura educacional, esse fator que, a cargo do Poder Público, só corrobora sua leviandade ao exercer o papel de administrador da educação e sua garantia para a população brasileira.

De início, vale destacar que o papel passivo do aparo estatal torna-se parte primordial para a continuidade do problema, pois o combate a essa mazela não tem sido ostensivo nos últimos anos. Uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas(IBGE) de 2014 a 2019, verbas destinadas à educação sofreram corte de mais de 20%, totalizando em 18 bilhões de reais, e como se não bastasse, delas quase metade do dela ainda é utilizado com gastos pessoais e encargos socais pelos gestores. Dessa forma, reforça a ideia do filósofo contratualista, Rousseau, “As leis são sempre úteis aos que têm posses e nocivas aos que nada têm”, isto é, o Estado, que detém o poder, usufrui dele. Por consequência, aqueles à margem dos privilégios que gozam o Governo, perdem oportunidade de ascensão socioeconômica por meio da educação, o caminho mais certo para tal.       Outrossim, é indubitável as consequências auspiciosas a quem se envolve com o aprendizado, conquanto essa relevância ainda possui um tênue elo com o Poder Público. Em contraste, por exemplo, com países mais desenvolvidos que destinam, de fato, suas verbas à educação, evidencia o porquê de serem desenvolvidos, esse cumprimento real com o intelecto da população traz melhorias efetivas, tanto para economia, Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) medida de qualidade de vida de um país, como a Finlândia, país que mais investe em ensino no mundo, dessa forma, superando economias como a da França, Reino Unido e Alemanha, além de ocupar o 16º lugar no ranking de IDH global. Por tudo isso, prova o que a educação transforma em uma sociedade.

Dessarte, urge o dever do Estado de criar leis, por meio do Congresso Nacional, de minimizar o desvio de verbas reservadas à educação, atribuindo um percentual mínimo delas conduzidos às escolas e universidades, a fim de ratificar o investimento satisfatório ao ensino e obter sucesso do desenvolver daquela nação. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, através de uma reformulação do Plano Nacional de Educação(PNE), para que a aplicação de capitais tenham destinos específicos, enfim, evoluir o sistema educacional e assim, poder discordar da ideia de governo de Rousseau.