A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 29/04/2020

além da relação de ensino-aprendizagem e abrangem a esfera social, como a assistência psicológica e a propagação de valores, a fim de formar pessoas éticas e tolerantes. Ademais, mesmo com a tentativa de garantia de direitos através da Constituição Cidadã, como a inclusão universal à educação, essa mudança não foi suficiente para minimizar os efeitos históricos da falta de investimento governamental ao sistema público de ensino. Desde a Era Colonial, a política educacional de Dom João VI acentuou a desigualdade social presente nessa esfera, mantida até os dias atuais, ao passo que concentrou o acesso à alfabetização nas mãos da alta classe brasileira. Nesse sentido, a construção moral e intelectual tornou-se, para muitos indivíduos, utópica. Como efeito dessa segregação socioeconômica e da carência de oportunidades enfrentada pelas camadas populares, problemas como o abandono escolar intensificam a marginalização desses indivíduos e elevam drasticamente o índice de analfabetismo funcional nacional. De acordo ao Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais- pessoas que apresentam dificuldade de entender e se expressar por meio de letras e números em situações cotidianas. Diante disso, é notório que a elitização da alfabetização inviabiliza a efetivação dos ideais democráticos perpassados pela Magna Carta, como a isonomia- igualdade de direitos. Posto tais aspectos, é preciso que o protagonismo do sistema educacional seja restituído à formação de cidadãos sábios academicamente e socialmente éticos, em prol do bem-estar comunitário. Assim, cabe ao Governo Federal, especificamente ao Ministério da Educação, instrumentar políticas de adequação do ensino às demandas do Brasil pós-moderno. Detalhadamente, esse plano deve, por meio de uma modificação da Base Nacional Comum Curricular, preparar os profissionais da educação através de medidas que visam levar a isonomia social ao ambiente escolar e de atividades que estimulem o senso crítico e o interesse dos alunos. Isso pode ser feito a partir de programas de amparo às famílias marginalizadas, além de oficinas de debates que estimulem o exercício de valores morais, como a solidariedade, o respeito e a tolerância às dissemelhanças comunitárias. A partir dessas ações, espera-se que a ética kantiana seja alcançada e, assim como na história dos Irmãos Grimm, a educação seja capaz de instigar mudanças na estrutura da sociedade contemporânea.