A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 28/04/2020

De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, e visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho. Contudo, impasses dificultam que essas garantias sejam efetivadas e inviabilizam que a prática educacional seja um veículo de transformação na sociedade, seja por questões infraestruturais ou sistêmicas.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a carência nas condições estruturais básicas das instituições de ensino compromete o aprendizado. A baixa remuneração dos professores, a ausência de material didático, a desigualdade tecnológica, a falta de acessibilidade e os cortes nas verbas destinas da educação básica até o ensino superior, são alguns exemplos que evidenciam a ineficácia das entidades governamentais em garantir o acesso à educação, o que corrobora para a evasão escolar, pois, segundo dados do IBGE, 1,3 milhões de jovens de 15 a 17 anos abandonaram a escola.

Ademais, nota-se uma defasagem no sistema educacional brasileiro, ainda fundado na divisão entre pensamento e ação, na fragmentação de conteúdos e de métodos de memorização. Tal modelo, negligencia a construção de um pensamento crítico e, portanto, de um indivíduo que tenha consciência de seus direitos e deveres como cidadão, contrariando o pensamento de Paulo Freire, “Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”, visto que o sujeito não tem condições de exigir a implementação de políticas públicas adequadas em favor de sua geração e das futuras.

Desse modo, infere-se que, apesar de essencial, o papel da educação como um meio de mudança na sociedade não tem sido valorizado no Brasil. Nesse sentido, o Governo federal, por intermédio do Ministério da Educação, deve rever os cortes de verbas destinadas a educação e, juntamente com os Governos Estaduais e Municipais, desenvolver políticas que valorizem o professor, mediante a seu aumento salarial e qualificação, bem como investir na elaboração de materiais didáticos, compra e distribuição de computadores, obras e transportes que garantam a acessibilidade nas escolas e universidades públicas. Outra medida refere-se a revisão e criação de um modelo educacional mais eficiente, inspirado em país desenvolvidos que ocupam as primeiras posições nas avaliações educacionais do mundo. Com esses projetos, a frase de Paulo Freire fará sentido e teremos um corpo social crítico, consciente de sua cidadania e capaz de intervir na sociedade.