A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 30/04/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Enquanto o órgão se restituía, a ave já o consumia novamente. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à importância da educação como ferramenta de transformação social. Nesse espectro, é indubitável que as instituições de ensino possuem um papel fundamental na formação do senso crítico desde os anos iniciais dos indivíduos. Da mesma forma, agregam relevância no campo socioeconômico - ao atuarem como plataforma para melhores condições de vida às camadas marginalizadas da sociedade.
A priori, cabe mencionar o pensamento do filósofo brasileiro Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. Sob esse prisma, é inegável que a fusão cultural com as ideias, por meio do diálogo, favorece o aprimoramento dos conhecimentos individuais. Dessa forma, é fato que os palcos do nascimento do ceticismo são as universidades e escolas – uma vez que elas promovem o debate e discussão de ideias por meio desse benéfico convívio ideológico. Além disso, vale ressaltar a obra literária “A Droga da Obediência”, de Pedro Bandeira, na qual o autor critica o pensamento único e a alienação provocada pelos prejuízos provindos da globalização – os quais apenas podem ser combatidos pela popularização do saber filosófico e da criticidade.
Outrossim, consoante o economista William Arthur Lewis: “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido”. À luz disso, a valorização dos professores, tanto no combate ao analfabetismo quanto no trabalho com pessoas vulneráveis, faz-se essencial no sentido de diminuir os prejuízos causados pelas enormes desigualdades sociais na esfera mundial. Nessa lógica, tais mazelas são geradas, sobretudo, pelos efeitos negativos do sistema capitalista, que estimula o lucro e a competição desmedidos. Dessa maneira, o despertar de novos leitores consiste em uma alternativa para garantir realidades mais dignas à toda a população.
Logo, é mister que o MEC promova campanhas em prol de conscientizar os cidadãos do valor do ensino de qualidade. Além disso, é substancial que o órgão público supracitado crie um componente curricular que privilegie a leitura e a escrita, com o fito de incentivar a capacidade argumentativa dos discentes. Do mesmo modo, cabe ao Ministério da Economia investir na construção de colégios que priorizem a agregação de sabedoria nos jovens e adultos que não tiveram uma boa base educacional durante a idade escolar. Enfim, somente reabastecendo o fígado do saber comunitário entre seus participantes, constante e igualitariamente, deixar-se-á de alimentar o abutre da ignorância – o qual atrasa o progresso.