A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 30/04/2020

Na música “Another brick in the wall”, da banda Pink Floyd há uma clara crítica ao caráter mercantilista da educação contemporânea, o qual compromete a função da educação como veículo de mudança na sociedade. Nesse contexto, para a efetivação dessas mudanças é necessário que a educação seja norteada por dois fatores: a promoção da autonomia do indivíduo e a consciência das diferentes realidades dos estudantes no ambiente escolar. Portanto, faz-se ,míster  a transição entre a visão capitalista da educação para uma visão mais humanística, capaz de contribuir para avanços  sociais e não meramente econômicos.

Em primeiro plano, é relevante ressaltar que a dinâmica social é regida pelo confronto de ideias e para tanto é necessário que cada indivíduo preserve sua individualidade em oposição a um comportamento mecanizado, que pressupõe imobilidade. Nesse sentido, a educação segundo Paulo Freire deve ser uma educação transformadora a qual se pauta na construção da autonomia a partir de uma análise crítica do conhecimento.Em contrapartida , a educação bancária, ainda predominante, se limita ao simples processo de reprodução do saber,sendo esse “modus operandi”  ineficaz como motor de transformações sociais, pois torna o conhecimento um processo passivo que carece de criticismo e , portanto, de evolução

Outrossim, a incosciência das diferentes realidades sociais dos estudantes é outro entrave para a efetivação de transformações na sociedade. Isso porque , existe nas escolas um descompasso cultural entre os estudantes - denominado por Pierre Bourdieu como capital cultural, que consiste no conjunto de habilidades determinadas pela educação familiar e status econômico. Dessa forma, a escola perpetua as desigualdades devido a linguagem didática ser similar ao capital cultural das classes médias e alta, porém distante da realidade do alunos de classe baixa o que dificulta seu aprendizado. Por conseguinte, perpetua-se  a lógica perversa da concentração intelectual nas mãos da minoria rica, ao mesmo tempo em que se marginaliza o intelecto dos mais pobres, desse modo é preservada a estrutura social vigente , eliminando qualquer transformação indesejada pela classe dominante.

Em suma, é necessário promover a autonomia dos estudantes e a adaptação de cada cada realidade ao processo do saber, com o intuito de que somadas resultem em pilares paras as transformações sociais. Dessarte,cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração da Lei de Diretrizes e Bases, uma reforma educacional, com o fito de implementar a educação transformadora ,defendida por Paulo Freire, aliada à consciência dos efeitos nocivos da disparidade entre o capital cultural dos discentes. Assim, ter-se-á a democratização do conhecimento, indispensável para fomentar mudanças sociais.