A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 28/04/2020
A educação apresenta-se como um fenômeno social, constante na história das civilizações, estando relacionada ao contexto político, econômico, científico e cultural. Consoante a Paulo Freire, “a educação por si só não é capaz de transformar a sociedade, todavia sem ela a sociedade tampouco muda”. Nesse sentido, ela ocupa posição central como fator de mudança. Conquanto esse importante veículo encontra-se em profunda crise, seja em decorrência dos ideais do modelo econômico em vigência, seja pelo sucateamento da profissão dos docentes.
Mormente, a partir de uma análise Marxista, a educação no sistema capitalista está voltada para atender às necessidades do capital em seu processo de acumulação, tornando-se um lócus para a reprodução das relações sociais alienadas, uma vez que classes sociais distintas recebem educações distintas. Outrossim a reforma do ensino médio, apresenta-se como um exemplo dessa relação conflituosa, visto que transforma o processo educacional em profissionalizante, retirando a obrigatoriedade de unidades curriculares como Filosofia e Sociologia, que são as principais responsáveis (dentro do âmbito escolar), pelo desenvolvimento do senso crítico dos alunos. Nesse sentido valoriza-se a acumulação de capital, pois o ensino volta-se para o mundo do trabalho, em detrimento de sua qualidade.
Não obstante o sucateamento da profissão docente aliada ao do sistema educacional, são outros óbices encontrados no processo educativo, dado que carências materiais e estruturais nas escolas resultam em uma superexploração desses profissionais. A exemplo tem-se a constatação de superlotação em salas de aula em duas escolas de Joinville conforme a vigilância sanitária da cidade. Destarte, além de receberem salários incompatíveis com a atividade desempenhada, em grandes jornadas de trabalho, os docentes ainda são submetidos a salas numerosas e heterogêneas, que resulta não só em uma sobrecarga que possibilita o desenvolvimento de doenças psicossomáticas no profissional, como também prejudica o aprendizado dos estudantes.
Impende, portanto, que seja realizada a revogação da emenda constitucional que cria um teto para os gastos públicos (PEC 241) pelo Governo Federal, para que sejam feitos novos investimentos na área da educação, tais como compra de materiais, reformas estruturais, construções de novas escolas e aumento salarial dos profissionais diretamente envolvidos no processo educativo. Assim sendo, o Brasil mais que fazer uma campanha para ter todas as crianças dentro da escola, possibilitará o pleno desenvolvimento educacional dos cidadãos ali formados, de modo que possam, de fato, exercer mudanças em seu coletivo.
aumento de salário, diminuição das jornadas e valorização das condições da categoria para evitar acúmulo de stress. S
A educação é, portanto, um processo social que se enquadra numa concepção determinada de mundo, a qual estabelece os fins a serem atingidos pelo ato educativo em consonância com as ideias dominantes numa dada sociedade.