A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 29/04/2020
No Brasil Colônia, a educação inicialmente era uma ferramenta de conversão dos nativos aos valores cristãos, a partir da expulsão dos jesuítas e da reforma promovida pelo Marquês de Pombal, valores do movimento iluminista, como o racionalismo, passaram a ser incluídos. Todavia, a educação era limitada às classes dominantes que constituíam a então elite do país. Atualmente, a educação é um direito garantido pela Constituição, porém, as escolas mantêm os mesmos moldes do passado, transformar a partir da educação constitui o desafio do mundo globalizado.
Em primeira análise, é fundamental salientar que a educação mesmo que instituída como direito pela Constituição de 1988, não é garantida para todos. Porque segundo pesquisa realizada em 2018, pelo IBGE, o analfabetismo ainda persiste na sociedade, tendo 11,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais como não alfabetizadas. Essa questão prejudica a construção de mudanças sociais, visto que, a escola tem papel fundamental na construção do senso crítico do indivíduo e pode fundamentar profundas mudanças a partir da formação de pessoas atentas aos problemas e às injustiças sociais existentes. Dessa maneira, é imprescindível que esse direito seja garantido a fim de reduzir tais índices no Brasil para que, de fato, se possa construir mudanças sociais duradouras e efetivas.
Ainda, o advento da tecnologia constitui outra problemática, pois, as estruturas educacionais resistem à inserção de novas metodologias de ensino e as tecnologias são excluídas do processo. Paulo Freire defendia que a educação para ser transformadora precisava incluir a realidade dos sujeitos. Nesse sentido, é preciso que as tecnologias sejam utilizadas como ferramentas aliadas a formação dos indivíduos. Entretanto, no estudo “o que pensam os professores brasileiros sobre a tecnologia digital em sala de aula” realizado em 2017 pelo Datafolha, 62% dos professores afirmam nunca terem feito cursos digitais em educação e, dentre os aptos ao uso desses métodos, 66% apontam a falta de estrutura nas escolas como um problema. Incluir a realidade dos estudantes é, portanto, outro desafio a ser superado para promover melhorias.
Logo, visando efetivar mudanças no meio escolar que proporcionem a redução nas taxas de analfabetismo bem como a renovação do ambiente escolar, é preciso que o Ministério da Educação estabeleça parcerias com instituições tecnológicas de ensino e empresas de TI. Essas parcerias teriam o intuito de promover a formação de professores, a partir de cursos especializados em desenvolvimento de tecnologias educacionais, e fornecer material a cada escola que tivesse 70% do corpo docente formado. Assim, a partir da integração escolar com novas tecnologias educacionais esse ambiente se tornaria mais atrativo à permanência dos estudantes de modo a reduzir as taxas de analfabetismo.