A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 11/05/2020

O filme “A sociedade dos poetas mortos’ trata sobre um professor de literatura que desperta nos estudantes o interesse artístico, além de incentivar reflexões e autonomia de pensamento, o que faz com que queiram buscar caminhos distintos daqueles impostos pelos pais e pela instituição. Apesar de ficcional, a película retrata uma situação presente: ainda que a educação seja o principal veículo de mudança na sociedade, ela está voltada para os anseios capitalistas. No Brasil, esse problema é agravado, inclusive, pela discrepância na qualidade de ensino privado e público, tornando a educação um privilégio da elite.

Em primeiro lugar, é preciso considerar que a educação atual prepara os alunos para que possam se tornar mão de obra qualificada. Ao contrário da Renascença - em que nas universidades o contato com várias vertentes do conhecimento era incentivado -, o ensino brasileiro contemporâneo é baseado na relevância do conteúdo para os vestibulares. Isso se torna um problema posto que limita os indivíduos a conhecimentos terceirizados e não permite que criem um currículo próprio, autônomo, feito a partir dos seus interesses. Por esse motivo, nas escolas, torna-se uma tarefa difícil aos professores manter a vontade e a atenção dos alunos no aprendizado, afinal, não são eles o objetivo da educação e sim a demanda do sistema capitalista - assim como acontece naquele filme.

Somado a isso, a desigualdade na educação impede que, nesse cenário de uma educação voltada para o mercado de trabalho, pessoas de baixa renda consigam acessar com a mesma facilidade que as classes altas, profissões valorizadas e sucesso financeiro. Isso acontece pela diminuição constante dos investimentos federais na educação - em quatro anos, o país reduziu em 56% as verbas destinadas às escolas públicas, segundo estudo da Câmara dos Deputados. Isso significa infraestrutura inadequada, falta de materiais e profissionais mal pagos, o que contrasta com a realidade das instituições privadas. Assim, ao invés de transformar a sociedade, essa situação mantém as desigualdades socioeconômicas.

Destarte, o Ministério da Educação deve criar um projeto que garanta o investimento necessário nas escolas públicas, por meio de pesquisas com os governos municipais sobre necessidades das escolas - como verba para reformas, salários e materiais - para que a qualidade do ensino seja garantida e a desigualdade mitigada. Além disso, deve ser feito uma campanha posterior nesses colégios públicos e nos privados, em que haja o oferecimento de aulas extracurriculares - de música, esporte, arte e ciências, por exemplo -, em que o aluno escolherá a área que deseja se aprofundar, como forma de ampliar o acesso ao conhecimento e estimular o interesse em aprender.