A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 09/09/2020

Segundo o símbolo da luta do Apartheid, Nelson Mandela, " a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Todavia, tal princípio não é colocado em prática no Brasil hodierno, uma vez que a educação brasileira não é valorizada, ao ponto de garantir as transformações sociais. Essa realidade nefasta tem origem na expressiva desigualdade que se perpetua na sociedade, bem como dos parâmetros educacionais vigentes. Dessa forma, é profícuo analisar esse cenário e buscar mecanismos que possam mitigar esse quadro.

Mormente, é pertinente destacar que as disparidades existentes no país corroboram para a perpetuação desse cenário. Nessa perspectiva, o processo de colonização foi marcado pelo desestímulo e a proibição de educar. É dentro desse contexto exploratório que se estruturou a sociedade brasileira, a qual tem — como uma das consequências “pós modernidade” — a desigualdade educacional , isto é, o afastamento dos indivíduos com baixo poder aquisitivo de um ensino de qualidade e transformador . Isso porque nas periferias, nas zonas rurais e nas áreas menos valorizadas, a infraestrutura, o corpo docente e as políticas educacionais, atuam de forma deficitária. Dessa maneira, o atual quadro de desigualdade presente na sociedade brasileira dificulta colocar a educação como ferramenta de transformação como enaltece Mandela.

Outrossim, essa realidade desafiadora decorre do baixo senso crítico dos cidadãos. Partindo desse pressuposto, vale-se destacar que a educação tecnicista ainda está presente nos estabelecimentos de ensino, na qual não há estímulo ao questionamento, ou mesmo transformação. Nesse sentido, a base educacional se configura em um ensino bancário - o professor transmite o conhecimento e quer que o aluno devolva a ele o mesmo que recebeu como se fosse uma transação bancária. Assim, tal princípio diverge com a educação libertadora proposta por Paulo Freire, haja vista que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual se encontra sujeitado, ganhando autonomia e senso crítico.

Torna-se evidente, portanto, a tratativa emergencial dessa conjuntura. Sendo assim, o Estado deve, por meio de leis orçamentárias, financiar a construção de escolas em comunidades em situação de vulnerabilidade, somado a introdução também de um corpo docente eficiente, com o fito de despertar nos jovens o interesse pela educação transformadora. Ademais, o Ministério da Educação deverá reformular os currículos escolares com a introdução de disciplinas voltadas para a formação cidadã e autocrítica, a fim de desconstruir o ensino bancário criticado por Freire. Desse modo, certamente, a afirmação do líder do Apartheid será vivenciada por todos os cidadãos brasileiros.