A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 05/11/2020

Em 1982, Darcy Ribeiro profetizou: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Nessa perspectiva, dados do Governo Federal apontam que, enquanto o número de alunos matriculados na educação básica apenas dobrou nos últimos 40 anos, a população carcerária multiplicou dez vezes neste mesmo período. Logo, um país que penaliza mais do que educa é um país doente! Nesse contexto, escola em tempo integral e melhores condições socioeconômicas são os propulsores a serem perpetrados pelo Estado para mitigar esta problemática.

Com efeito, um dos veículos educacionais de mudança social são as escolas em tempo integral. No entanto, na contramão deste modelo, dados do último relatório do Plano Nacional de Educação, de 2019, reportam que menos de 15% dos alunos do ensino público pertencem à educação integral. Além disso, segundo o Datafolha, a falta de merendas, atividades e saberes escolares, que deveriam fazer parte de uma rotina integral nas escolas, afastam três de dez alunos entre seis e 18 anos, levando à evasão escolar e insuflando, por exemplo, a delinquência e a criminalidade. Como consequência, violam-se a proteção integral das crianças e adolescentes, expondo-os à exploração e à violência, e o seu direito social à educação como instrumento de transformação e mudança social.

Outrossim, atreladas o ensino em tempo integral, melhores condições socioeconômicas também asseguram mudanças sociais, uma vez que favorecem o desempenho escolar. Entretanto, hodiernamente, as desigualdades socioeconômicas que marcam as condições de vida da maioria dos estudantes brasileiros não só comprometem todo o desenvolvimento infantil, como excluem meninos e meninas de um presente de sonhos e um futuro mais humano. Isso acontece porque o Estado, contrariando o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente, não promove iguais condições de oportunidades e facilidades, a exemplo de desenvolvimento intelectual e social. Como resultado, resta vulnerável um futuro virtuoso e promissor, uma vez que o país está desfocado com a formação cidadã.         Urge, portanto, para garantir que crianças e adolescentes sejam prioridade absoluta nas políticas educacionais, que o Governo Federal, em parceria com as escolas do país, reestruture a educação básica por meio da implementação da Escola em Tempo Integral, com acesso ininterrupto à alimentação, esporte, lazer e cultura, de forma a promover formação social, ética e intelectual e preparar os alunos para a vida presente e adulta. Além disso, o Estado deve utilizar fundos públicos para auxílio monetário àqueles economicamente vulneráveis e, assim, assegurar a sua permanência na escola, evitar a evasão e impedir a delinquência. Assim, com essas medidas, o país promoverá a educação não só como um veículo de mudança social, mas como um legado pleno e permanente.