A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 09/11/2020

No período colonial, com a chegada dos jesuítas, a catequização dos índios e as aulas lecionadas para os descendentes de europeus e para os filhos dos colonos foi a nascente da educação no Brasil. Embora, a trajetória educacional brasileira tenha quase 500 anos, a ausência da família no âmbito escolar e a negligência governamental ainda são empecilhos para o avanço da educação na sociedade. Logo, é necessário analisar as causas que comprometem a evolução educacional da humanidade.

É imperioso ressaltar que a educação não se limita apenas ao ambiente escolar, visto que a participação familiar também é de suma importância para complementar a formação do indivíduo. Consoante ao sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo, em boa parte, é construído socialmente pela educação, na qual as normas e os princípios influenciam sua conduta. Isto significa dizer que as crianças que convivem em um ambiente familiar, no qual não há incentivo à educação como forma de desenvolver sua criticidade e habilidade profissional tornam-se ignorantes. Dessa forma, eles tendem a manter esse senso comum, sendo contribuintes para o aumento da desigualdade social no país, visto que uma pessoa não qualificada e não especializada tem mais dificuldade de obter emprego. Em suma, a ausência da educação faz os cidadãos se verem como incapazes de transformar a malha social.

Outrossim, a negligência governamental quanto ao acesso à educação é outro impacto notado na sociedade, haja vista que a aquisição de conhecimento proporcionaria um desenvolvimento social, cultural e econômico no país. Segundo o educador Paulo Freire “A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Isso evidencia que o investimento nas escolas é essencial, pois, os estudantes, conhecedores do saber, mudariam o mundo, já que, por exemplo, a educação supera a intolerância e coopera para a diminuição da violência, um problema relevante hoje. Todavia, o ensino não é visto como prioridade, basta ver que um informativo técnico da Câmara dos Deputados constou que, entre 2014 e 2018, o investimento em educação caiu 56% no Brasil. Dessarte, o não cuidado com as instituições de ensino corrobora para a estagnação da massa.

Infere-se, portanto, que esses impasses atrapalham a educação de se tornar ferramenta de mudança na sociedade. Para tanto, é necessário que o conselho tutelar e a mídia tomem atitudes. O primeiro, pela responsabilidade de proteger os direitos das crianças e dos adolescentes, deve acompanhar rigidamente famílias que já tenham passagem pelo órgão, por intermédio da escola, na qual essa informa mensalmente a participação do aluno em sala, a fim de averiguar o cumprimento com a educação. Já o segundo, por amplo alcance populacional, deve criar campanhas e, junto com a população, cobrar o governo suas responsabilidades. Assim, o ensino se tornará um meio de mudança.