A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 08/11/2020

A obra cinematográfica “Que Horas Ela Volta?”, de 2015, protagonizada por Regina Casé, conta a história de uma mulher que trabalha para uma família de classe alta e que, após anos, reencontra a filha e é incentivada por esta a questionar as relações com seus patrões. O filme retrata a desigualdade e as diferentes bases educacionais entre indivíduos de gerações distintas, demonstrando o papel fundamental que o ensino tem na mudança das relações sociais e no combate às injustiças. Não longe da ficção, a educação é realmente importante no processo de aprimoramento da sociedade. Entretanto, é evidente que a pedagogia no Brasil está sucateada e em crise, o que a impede de cumprir seu papel transformante. Tal problema se deve essencialmente pelo modo de ensino atual e pelo inchaço de obrigações atribuídas à escola.

Em primeiro lugar, o ensino brasileiro contemporâneo se distancia da cada vez mais de ser de qualidade. Como defende o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire — um dos grandes nomes do movimento denominado “pedagogia crítica” — , a educação no país acomoda os alunos, que deveriam ser o maior meio de mudanças na sociedade, ao mundo existente, em vez de incitá-los a buscar melhorias. Essa didática, além de manter inerte problemas sociais, precariza o ensino à medida que não prende a atenção dos estudantes, torna o processo de aprendizado algo chato, inibe debates e discussões saudáveis e impede a liberdade do professor ao ensinar. Nesse sentido, a qualidade da educação oferecida no Brasil ainda é ruim e problemática.

Ademais, há uma inversão de papéis, em que obrigações, antes, da comunidade são atribuídas, agora, aos educandários. Esse contexto provoca o que trata o reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, que defende a ideia de que as instituições de ensino atuais compreendem “escolas transbordantes”, que tornaram-se responsáveis por encargos além do ensino formal. Segundo o professor, a sociedade atribuiu funções em demasia aos colégios, cujos lecionadores as receberam com grande generosidade e voluntarismo. Com isso, provocou-se uma crise identitária nos docentes, que agora exercem papéis antes destinados à família e ficam sobrecarregados. Dessa forma, a escola não consegue cumprir seus reais encargos e, logo, perde sua capacidade de mudança na sociedade.

Assim, torna-se notória a necessidade da tomada da medidas a fim de resolver o problema. Para tal, é preciso que o governo realize uma reforma aprofundada no ensino, por meio da instituição de uma educação que priorize o senso crítico, incentive os alunos a promover mudanças e garanta a liberdade do professor ao lecionar — além de definir os papéis do colégio e da família na formação do indivíduo. Tais ações objetivam garantir que escola seja um meio de aprimoramento da sociedade.