A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 11/03/2021

É notório o papel transformador da educação, no entanto, apesar da Constituição de 1988 prever em seu Artigo 5º a igualdade como direito inerente a todo cidadão brasileiro, essa prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, principalmente no que diz respeito à educação, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Isso ocorre devido a negligência Estatal e a priorização de interesses financeiros.

Convém ressaltar, a princípio, a negligência governamental como fator determinante para a persistência do problema. A educação tornou-se a ferramenta mais importante para mudar a vida de uma pessoa. Entretanto, o acesso à ela não se apresenta de maneira homogênea, uma vez que o ensino que público deficitário impede que aqueles que dependem dele possam competir com quem pode pagar para adquirir conhecimento. Essa conjuntura, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, mostra o rompimento do “Contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação. Impedindo, com isso, que esta possa atuar como veículo de mudança na vida de todos os indivíduos.

Ademais, é válido reconhecer como o panorama supracitado impulsiona a mercantilização do saber. Uma vez que o sistema educacional público falha, a capitalização do ensino cresce, segregando aqueles que não possuem o poder aquisitivo necessário para ter acesso ao conhecimento. Para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida na realidade contemporânea, sobretudo no que concerne à educação, com isso, a educação passa a ser não mecanismo de libertação, mas de exclusão. Assim, reverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o problema discorrido. Para isso, o Estado deve reformular o ensino público, por intermédio de profissionais da educação e cientistas sociais capacitados, com o intuito de preencher as lacunas existentes no modelo atual, a fim de promover uma educação de qualidade para os cidadãos, independente da sua condição social. Isso acarretaria a redução na demanda necessária para o capitalismo educacional e a terceirização do saber seria menos significativo. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pelos elementos elencados na Carta Magna.