A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 12/04/2021

O sociólogo Thomas H. Marshall definiu a educação como a principal garantia constitucional, uma vez que ela dá acesso a diversos direitos sociais, por exemplo, moradia, trabalho, saúde, entre outros. Todavia, no contexto brasileiro contemporâneo, a educação não cumpre seu papel fundamental de promover mudanças positivas na sociedade - fato que configura um preocupante problema. Tal conjuntura é intensificada pela negligência governamental e pela formação de espaços excludentes. Dessa forma, medidas são essenciais para alterar essa realidade.

Em primeira análise, cabe pontuar que o sucateamento da educação brasileira impede que ela traga melhorias para a coletividade. O documentário “Pro dia nascer feliz”, lançado em 2005, retrata a insfraestrutura e qualidade do ensino básico de diferentes escolas brasileiras, com destaque para as precárias condições das escolas públicas em contraste com as privadas. Isso se dá devido a carência de investimentos governamentais destinados para a educação pública, fato que resulta tanto na falta de auxílios para permanência escolar, quanto na capacitação de baixa qualidade dos alunos. Com efeito, seguindo a lógica de Thomas Marshall, os indivíduos que frequentam essas instituições deficitárias tem piores ooportunidades de empregos e continuam a compor as classes de vulnerabilidade social.

Posteriormente, é tácito elencar que a exclusão acadêmica dificulta que alterações benéficas sejam efetivadas no corpo social. Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica - 23,8 milhões de pessoas de 15 a 29 anos não completam o ensino superior para trabalhar, sendo que 65% corresponde a pretos ou pardos. Nesse contexto, observa-se que apenas a política de cotas não é suficiente para garantir a formação profissional e a consequente ascensão social, já que, quando o cidadão consegue alcançar o espaço adêmico, é necessário tempo e investimento financeiro. Além disso, nem todas universidades possui acessibilidade para deficientes físicos, tornando-se ainda mais excludentes.  Consequentemente, esses espaços permanecem sendo, majoritariamente, elitistas.

Portanto, ao analisar o descuido com as instituições de ensino e a limitada inclusão dos ambientes universitários, nota-se a influência desses no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para amenizar o impasse. Posto isso, compete ao Ministério da Educação, ampliar a oferta de auxílios permanência para estudantes da rede pública de ensino básico e superior - esses últimos podem recebr o benefício em troca da formação de cursos pré-vestibulares comunitários que garantam a integração entre o campus universitário e comunidades fragilizadas e a futura inserção de indivíduos nessa faculdade. Tal medida deve ser executada por meio de um plano de maior repasse de verbas para a educação pública e visa minimizar a evasão escolar no ensino fundamental, médio e superior.